domingo, novembro 14, 2010

Sob a sombra da Lua.

Ontem fui aos belíssimos Arcos de Valdevez ver a Sombra, o espectáculo que não chamarei de acústico, porque acho redutor fazê-lo, dos meus caros Moonspell.
Há tempos fui à casa das Artes dos Arcos de Valdevez ver os mesmos Moonspell, na sua versão original, e quando soube desta nova tournée, fez para mim todo o sentido que lá regressasse para a ver. Acho que se deve valorizar o brilhante trabalho que por lá se faz, trazendo ao interior Norte do país arte e cultura de qualidade, a preços praticáveis, quando não gratuitamente, abrangente, sem traços de pompa e pretensiosismo elitista, servindo-as à população real e não apenas a meia dúzia de iluminados com necessidade de mostrar entre si quão eruditos são. Um exemplo a ser seguido por instituições similares em todo o país, mesmo nos grande centros urbanos.
Agora que começarei a escrever sobre o concerto, para ser justo, devo desde já pedir desculpa aos Moonspell pela minha (embora comedida) apreensão quanto a esta ideia de "amaciar" as suas (e minhas!) músicas, e que em tempos com eles partilhei, quer por escrito, no agora "congelado" fórum oficial da banda, e pelo regresso do qual, aproveito para dizer, anseio, quer de viva (ou etílicamente persistente...) voz aquando da inauguração do Hard Club V2.0.
O concerto foi absolutamente fabuloso! Os Moonspell deram uma excelente manifestação de profissionalismo e de trabalho, mostrando que a ideia de se reinventarem não foi um mero capricho, e em menos de cinco minutos fizeram-me envergonhar pelos meus receios iniciais. Caríssimos, mais uma vez, desculpem-me. A situação torna-se particularmente confrangedora porque em todos estes anos que tive o prazer e a honra de vos acompanhar nunca me deram um só motivo para duvidar do vosso génio. Posto isto, tendo já expiado o meu Sin/Pecado, regressemos ao concerto:
Como disse quando comecei, é redutor (e mentira) dizer que Sombra é um concerto acústico de Moonspell. Por outro lado, é difícil dizer o que é... Temos a banda em palco acompanhados pelos Opus Diabolicum, uma espécie de Apolyptica portugueses (quatro violoncelistas e um percursionista), igualmente bons, mas com menos meio metro de altura dos que os finlandeses originais, e que também servem de banda de abertura, tocando magistralmente meia hora de hinos dos Moonspell, bem como (pelo menos) um original antes da Sombra inundar o palco. Durante o concerto vão temperando as músicas, sem se tornarem excessivamente interventivos. Também presentes estão as já conhecidas Crystal Mountain Singers, assegurando a melodia dos coros.
Vão então desfilando músicas retiradas da (já extensa; parece que foi ontem que fui à Strauss comprar o Wolfheart!) discografia dos Moonspell, umas presença permanente nas setlists, outras mais ou menos empoeiradas, retiradas do Sin/Pecado e do Butterfly Effect e que, pelas características mais melódicas destes álbuns, estavam obviamente a pedi-las.
Todas as músicas sofreram (excelentes) arranjos novos, que pelo que pude perceber são da particular responsabilidade do Pedro Paixão, e estão mais melódicas e graves, tendo perdido velocidade, mas mantendo rasgos de agressividade onde se lhes é exigido. Potenciou-se o lado melódico mas sem deixar de lado a força. O Ricardo Amorim, apresentou-se com uma guitarra acústica tocada com um virtuosismo tal que por vezes me fez esticar o pescoço para tentar perceber se não estaria entretanto a fazer batota e a teria trocado por uma eléctrica. D. Aires Pereira, grande, como sempre, é que não foi de modas e apresentou-se com o seu baixo do costume devidamente ligado à corrente. Mike Gaspar, com a bateria reduzida a metade, deu espectáculo, tocando também magistralmente, mostrando pouca disponibilidade para passar o concerto a fazer cócegas à tarola. Fernando Ribeiro, como sempre foi alternando as melodias sussurradas com os laivos de agressividade, que desta vez, por serem mais escassos, ganharam especial dramatismo, tendo, por mais do que uma vez, feito saltar na cadeira uma velhinha que estava à minha frente.
Esteve tudo isto emoldurado por iluminação cuidada e belíssimas projecções, estando o som na sala nada menos do que perfeito. Porque quase nunca se fala deles, e nas excepções a esta regra, normalmente é para levantar defeitos, ficam aqui os meus parabéns aos técnicos que acompanham os Moonspell.
Aconselho por tudo isto que tentem ir a algum concerto da Sombra. Quer consigam ou não ver isto ao vivo, fiquem atentos à eventual edição do CD/DVD que o espectáculo claramente merece.

A setlist, e que a acreditar no exemplar escrito obtido no palco, foi a mesma no cinema S. Jorge , em Lisboa, foi a seguinte:

Hand Made God
Shouthern Deathstyle
Wolfshade
Disappear
Opium
Awake
Can´t Be
Second Skin
Magdalene
Scorpion Flower
Luna
Mute
Alma Mater
Senhores da Guerra
Full Moon Madness

4 Comments:

At novembro 14, 2010 5:19 da tarde, Blogger Fátima Inácio Gomes said...

Brilhante!!!!
Em Guimarães confirmarei tudo o que dizes, meu amigo!

 
At novembro 14, 2010 11:14 da tarde, Blogger João Paulo Torres said...

Caro "amigo", se tal me permites por termos em comum esta paixão!

Graças ao teu link no face vim parar ao teu blog e devo começar por dizer que ler as tuas palavras foi rever o estado de alma com que saí da Casa das Artes!

Quis a sorte que eu ficasse na 1.º fila!... e foi ... brutal! Tudo o que dizes x10! Já tinha visto Moonspell nas grades... mas estar ali... neste sentimento... com os pés no palco (literalmente)... foi mágico!

E como sempre... o profissionalismo dos Moonspell faz-nos sempre querer estar lá, concerto após concerto, sem cansar, ... e a casa das Artes então... torna tudo tão mais apetecível graças à pequena dimensão do auditório! É tudo tão familiar que torna memorável cada segundo!

E aquela "Alma Mater"... bem... era digna de parar o país em "tempo de antena"... mostrando que quando este povo de um cantinho pequeno quer, unido nessa alma mater, pode bem virar costas ao mundo e ir em frente!

Uma noite perfeita!
Não tivesse eu um impedimento de agenda e sábado estaria em gmr na bela sala do S. Mamede!

 
At novembro 15, 2010 9:48 da tarde, Anonymous Miguel Silva said...

Tal como o João Paulo Torres, vim aqui parar devido ao teu post no facebook. E pelo que vejo, as emoções sentidas no final do espétaculo foram as mesmas. Também estava receoso de ver os grandes Moonspell em formato acústico, mas eles ao fim de poucos minutos tiraram-me todos os receos e medos da cabeça. Infelizmente não tive a mesma sorte que vocês e já só consegui comprar bilhetes na 4ª fila (o que já é perto deles, não devo ter estado a mais de 4 metros de distância do Mike Gaspar).

Fico honrado por os Moonspell terem escolhido a minha terra para apresentarem este novo concerto, e espero que voltem cá nuns próximos tempos.

 
At novembro 17, 2010 11:28 da tarde, Blogger Unknown said...

Ora aqui está um comentário á altura do ESPECTÁCULO SOMBRA. Sim porque tudo o que se passa em palco é um verdadeiro espectáculo que nos é servido em doses muito bem equilibradas. Estive presente no dia 31 no São Jorge e até agora o seu comentário foi o melhor que melhor descreveu o que eu e mais umas centenas podemos apreciar nesse antigo cinema. Parabéns pelo comentário e pelo bom gosto musical.
P.S. Também eu aguardo ansiosamente pelo CD ou DVD que espero ver editado pois este espectáculo merece.

 

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