quinta-feira, abril 26, 2007

A puta da brasuca

Hoje fui ao cinema. Ainda à porta, enquanto esperava que fossem horas do filme, vejo passar uma puta, aliás, um putão! Corsários brancos, chanatos dourados (ou prateados; de facto nem sei se também os corsários seriam brancos, mas se no final da descrição não ficarem com uma imagem exacta do putão em causa, ficaram com uma equivalente) e mini top a amassar os úberes. Entre todas estas peças de roupa, iam sobrando, aqui e ali, regueifas de banha. Para completar a chungaria, uma maquilhagem que parecia feita com cores vindas directamente do tempo dos monitores CGA. A puta fazia-se acompanhar de mais dois espécimes de idêntico calibre e do respectivo macho cobridor.
Já esquecido da horripilante visão, instalado na cadeira do cinema, todo o ciclo se reinicia, quando vejo de novo a puta a encabeçar o rebanho caprino, de balde de pipocas XXXL na mão, como que a dizer "Ai já reparaste nas minhas banhas? Espera até eu engolir esta gamela de pipocas empurrada por dois litros de cola que aí sim, tu vais ver..." Estávamos ainda na fase dos anúncios quando o redil se instala (mal, diga-se, porque cús daqueles nunca caberão em cadeiras projectadas para o comum dos cidadãos). Um dos anúncios, tentava (de forma bacoca, aliás) sensibilizar os espectadores para a necessidade de tratamento igual entre povos, desfilando para o efeito diversos chavões que se utilizam no dia a dia, normalmente de modo depreciativo, para identificar os originários de diversos locais do globo. Vocábulos como "monhé", "preto", "chinoca" e "branco" desfilam no ecrã acompanhados de voz off, até que se lê e ouve "brasuca". Aí, o putão e companhia reagem com um "EHHHHHHH!" efusivo, contentes por estarem representados, e denunciando assim a sua origem, embora fosse já de suspeitar, pois é sabido que os portugueses frequentadores de certas casas de abate apreciam a rabada caprina do Brasil do mesmo modo que a picanha bovina que também vem do país irmão (por falar nisso, acho indecente ainda não termos oferecido um estádio ao Brasil; sempre são mais próximos do que os palestinianos, para além de correr o rumor que jogam ligeiramente melhor à bola...), isto apesar da generalidade dos restaurantes de rodizio vender carne argentina... Não terá sido por este motivo, estou mais inclinado para o facto dos clientes costumeiros, por ser feriado, e automaticamente, terem de passar o dia com a legítimas, de cravo ao peito, a terem deixado folgada, mas a grandecíssima puta passou o filme todo a falar (alto) e a rir (ainda mais alto).
A esta hora, alguns de vós devem estar a achar exagerada esta minha reacção a uma tagarela num cinema, mas quando me dirigi a ela, pedindo-lhe que mantivesse o silêncio e respeitasse a estranha vontade das outras pessoas de verem um filme num local tão improvável como um... cinema, a puta do caralho respondeu-me assim:
-"A boca é minha, eu falo o que eu quiser".
Pois bem, bem vistas as coisas, o teclado é meu.

10 Comments:

At abril 27, 2007 1:01 da tarde, Blogger joana said...

A tua expressão escrita é tão boa que, até temas como este, se traduzem num texto muito agradavel de ler.
Tinha acabado que publicar um pequeno post sobre um brasileiro e, quando chego aqui, tb tu o tinhas feito. Embora a minha abordagem aos nossos irmãos brasucas seja mais feliz, parece que escrevemos sobre pessoas com a mesma nacionalidade! Mas eles têm coisas muito boas (como meu post ilustra), e coisas verdadeiramente más (como teu post dá o exemplo).
Gosto de te ler caro Broots!

 
At abril 27, 2007 3:23 da tarde, Blogger oDaMm said...

eu queria comentar... e vou comentar, quando conseguir parar de me rir!

fica só o reparo, porque nao lhe perguntas-te qt levava pa por a boca no mictorio masculino do cobridor que a acompanhava? e que as vezes nao e nada caro!

 
At abril 27, 2007 3:23 da tarde, Blogger oDaMm said...

o silencio :P

 
At maio 09, 2007 8:39 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Mais um post fenomenal!

Abraço,
Mike (BB)

 
At maio 12, 2007 11:57 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Bem, quando comecei a ler o texto achei um exagero a maneira como descrevias o espécime até porque eu desde há uns tempos para cá que comecei a nutrir um pouco mais de respeito e a refrear as minhas palavras em relação aos nossos irmãos «brasucas». No entanto, e depois de ler o texto até ao fim, até achei que te controlaste MUITO bem. É que se há coisa que não suporto são aquelas pessoas que vão levar os preliminares de uma foda para o cinema e estranhamente preferem dar 4 euros e meio cada um em vez de, por um preço igual/ou até mais económico se irem enfiar num canto qualquer dentro do carro ou mesmo num motel. A necessidade exibicionista das pessoas para mim começa a roçar as malhas do surreal, já nem digo ridículo, porque quando fui ver o 300 a primeira vez também tinha uma manada de borregos atrás de mim que iam balindo de cada vez que viam os senhores guerreiro espartanos em acção. Mas eu infelizmente ainda não me controlo tão bem como queria, e achei como solução (uma vez que me levantei duas vezes e educadamente pedi que «refreassem os ânimos») vazar metade do meu pacote de pipocas ( um pouco queimadas, daí que de qualquer das maneiras não as fosse comer) em cima da borregada, que baliu mas um bocado e finalmente acabou por se calar, permitindo que a última hora do filme fosse visionada com alguma tranquilidade.

 
At maio 12, 2007 1:47 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Puta dúm cabrão, sufocada pelo balde das pipopas ainda era pouco...

 
At dezembro 05, 2007 11:05 da manhã, Anonymous Anónimo said...

achei o conto bobo bem propio de portugues

 
At dezembro 05, 2007 11:09 da manhã, Anonymous Anónimo said...

vos potrtugueses sao estupidos

 
At setembro 21, 2009 1:24 da tarde, Anonymous nuno said...

Muito bom! Fartei-me de rir. Com o post e com o comentário da Trebraruna. Também estou farto do barulho no cinema.

 
At agosto 06, 2010 11:14 da manhã, Blogger manobra11 said...

Ri demais com este post!!! A descrição deste ser (humano??) é excelente, podia imaginar a cena com total clareza, já que passei pela mesma inúmeras vezes. Só quero recordar que esta "gente" é o pior que há no Brasil, e justamente por isso vão "pras europas" em busca de "vida fácil" (vida fácil em Portugal??? Santa ignorância!!!) e deixam uma imagem péssima dos brasileiros. Quero desculpar-me com os da "metrópole" (ainda que todo Portugal seja menor que o Estado do Rio de janeiro e tenham uma economia e importância política internacional tão pequena quanto a da cidade de Teresópolis, já foram nossa metrópole!) em nome dos meus compatriotas mais débeis, por favor tenham pena, e se puderem lhes ensinem um pouco do idioma "português", pois como podem ver o conhecimento da língua é bastante precário... Sempre penso que hoje em dia poderíamos estar "hablando", me sinto aliviada que quem nos "descobriu" foram os tugas e não "nuestros hermanos" (além disso seriamos tão feios quanto nossos vizinhos?? imagina! Deus abençoe Gisele Bünchen e Adriana Lima!!!). Ah, pois adoro o Cristiano, mas o futebol brasileiro, como todo o planeta reconhece, é melhor que o português, afinal se ganhamos 5 copas do mundo é por algo, não? "Desculpalá"!

Um abraço a todos.

 

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