A puta da brasuca
Hoje fui ao cinema. Ainda à porta, enquanto esperava que fossem horas do filme, vejo passar uma puta, aliás, um putão! Corsários brancos, chanatos dourados (ou prateados; de facto nem sei se também os corsários seriam brancos, mas se no final da descrição não ficarem com uma imagem exacta do putão em causa, ficaram com uma equivalente) e mini top a amassar os úberes. Entre todas estas peças de roupa, iam sobrando, aqui e ali, regueifas de banha. Para completar a chungaria, uma maquilhagem que parecia feita com cores vindas directamente do tempo dos monitores CGA. A puta fazia-se acompanhar de mais dois espécimes de idêntico calibre e do respectivo macho cobridor.
Já esquecido da horripilante visão, instalado na cadeira do cinema, todo o ciclo se reinicia, quando vejo de novo a puta a encabeçar o rebanho caprino, de balde de pipocas XXXL na mão, como que a dizer "Ai já reparaste nas minhas banhas? Espera até eu engolir esta gamela de pipocas empurrada por dois litros de cola que aí sim, tu vais ver..." Estávamos ainda na fase dos anúncios quando o redil se instala (mal, diga-se, porque cús daqueles nunca caberão em cadeiras projectadas para o comum dos cidadãos). Um dos anúncios, tentava (de forma bacoca, aliás) sensibilizar os espectadores para a necessidade de tratamento igual entre povos, desfilando para o efeito diversos chavões que se utilizam no dia a dia, normalmente de modo depreciativo, para identificar os originários de diversos locais do globo. Vocábulos como "monhé", "preto", "chinoca" e "branco" desfilam no ecrã acompanhados de voz off, até que se lê e ouve "brasuca". Aí, o putão e companhia reagem com um "EHHHHHHH!" efusivo, contentes por estarem representados, e denunciando assim a sua origem, embora fosse já de suspeitar, pois é sabido que os portugueses frequentadores de certas casas de abate apreciam a rabada caprina do Brasil do mesmo modo que a picanha bovina que também vem do país irmão (por falar nisso, acho indecente ainda não termos oferecido um estádio ao Brasil; sempre são mais próximos do que os palestinianos, para além de correr o rumor que jogam ligeiramente melhor à bola...), isto apesar da generalidade dos restaurantes de rodizio vender carne argentina... Não terá sido por este motivo, estou mais inclinado para o facto dos clientes costumeiros, por ser feriado, e automaticamente, terem de passar o dia com a legítimas, de cravo ao peito, a terem deixado folgada, mas a grandecíssima puta passou o filme todo a falar (alto) e a rir (ainda mais alto).
A esta hora, alguns de vós devem estar a achar exagerada esta minha reacção a uma tagarela num cinema, mas quando me dirigi a ela, pedindo-lhe que mantivesse o silêncio e respeitasse a estranha vontade das outras pessoas de verem um filme num local tão improvável como um... cinema, a puta do caralho respondeu-me assim:
-"A boca é minha, eu falo o que eu quiser".
Pois bem, bem vistas as coisas, o teclado é meu.
Já esquecido da horripilante visão, instalado na cadeira do cinema, todo o ciclo se reinicia, quando vejo de novo a puta a encabeçar o rebanho caprino, de balde de pipocas XXXL na mão, como que a dizer "Ai já reparaste nas minhas banhas? Espera até eu engolir esta gamela de pipocas empurrada por dois litros de cola que aí sim, tu vais ver..." Estávamos ainda na fase dos anúncios quando o redil se instala (mal, diga-se, porque cús daqueles nunca caberão em cadeiras projectadas para o comum dos cidadãos). Um dos anúncios, tentava (de forma bacoca, aliás) sensibilizar os espectadores para a necessidade de tratamento igual entre povos, desfilando para o efeito diversos chavões que se utilizam no dia a dia, normalmente de modo depreciativo, para identificar os originários de diversos locais do globo. Vocábulos como "monhé", "preto", "chinoca" e "branco" desfilam no ecrã acompanhados de voz off, até que se lê e ouve "brasuca". Aí, o putão e companhia reagem com um "EHHHHHHH!" efusivo, contentes por estarem representados, e denunciando assim a sua origem, embora fosse já de suspeitar, pois é sabido que os portugueses frequentadores de certas casas de abate apreciam a rabada caprina do Brasil do mesmo modo que a picanha bovina que também vem do país irmão (por falar nisso, acho indecente ainda não termos oferecido um estádio ao Brasil; sempre são mais próximos do que os palestinianos, para além de correr o rumor que jogam ligeiramente melhor à bola...), isto apesar da generalidade dos restaurantes de rodizio vender carne argentina... Não terá sido por este motivo, estou mais inclinado para o facto dos clientes costumeiros, por ser feriado, e automaticamente, terem de passar o dia com a legítimas, de cravo ao peito, a terem deixado folgada, mas a grandecíssima puta passou o filme todo a falar (alto) e a rir (ainda mais alto).
A esta hora, alguns de vós devem estar a achar exagerada esta minha reacção a uma tagarela num cinema, mas quando me dirigi a ela, pedindo-lhe que mantivesse o silêncio e respeitasse a estranha vontade das outras pessoas de verem um filme num local tão improvável como um... cinema, a puta do caralho respondeu-me assim:
-"A boca é minha, eu falo o que eu quiser".
Pois bem, bem vistas as coisas, o teclado é meu.
