O espaço que se segue é da exclusiva reponsabilidade das organizações intervenientes.
Estamos em plena campanha para o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Chama-se a esta declaração uma inutilidade, pois certamente todos vós estais cientes de que a campanha já começou, tal a frequência de veementes pegas e insultos entre os activistas quer do sim, quer do não nas TVs, rádios, cartazes e ruas pelo país fora.
Eu sou a favor da despenalização do aborto, e contra o refrendo do aborto. Isto porque, caso o sim vença ninguém vai ser obrigado a abortar, mas quem tem a necessidade de tal vai ter a possibilidade de o fazer sem ser num vão de escadas (os pobrezinhos) ou em clínicas, pagando as vacas ao dono (os mais endinheirados). Acho no entanto lamentável que mais uma vez, os políticos portugueses não tenham conseguido por de lado a hipocrisia e não tenham tido tomates para despenalizar o aborto logo na Assembleia da República.
Sugiro-vos um pequeno exercício: peguem nas Páginas Amarelas (se não estiverem com disposição de levantar o cú, vão a www.pai.pt, que também serve) e procurem por "Parteiras".
Há muitas não há? Agora pensem bem: quantas vezes ouviram alguma mulher dizer que quando chegaram as contracções do parto em vez de ir para o hospital, foi procurar uma parteira à lista telefónica? Afinal, que tipo de serviço prestarão estas senhoras? Dá para desconfiar que se calhar, fazem abortos clandestinos, não dá? Pois... E quando corre mal, a "parturiente" é despejada à frente dos serviços de urgência de um hospital qualquer, onde é tratada, sem muitas perguntas e mandada para casa, ou pior, é entregue ás autoridades.
Parece-me mais lógico, ir directamente ao hospital e resolver o assunto, sem riscos acrescidos.
Não quero com isto convencer ninguém. Cada um é livre de pensar como quiser, e para isso é que há referendos, mas deixem-me acabar pedindo-vos, por favor, que vão votar. É que caso no próximo sábado não vá votar mais do que 50% do eleitorado, não ficará nada decidido, e o que não podemos é continuar a discutir este assunto indefinidamente

2 Comments:
Tal como tu, também penso que a maior hipocrisia e atraso de vida em relação ao resto da Europa reside mesmo no facto de uma decisão destas ainda não ter sido tomada e ser necessário um referendo (que eu carinhosamente «alcunhei» de troca de galhardetes e peixe espada) para EVENTUALMENTE se tomar uma decisão. Mesmo com todos os prós e contras da minha situação vou votar, não pela porcaria do governo que vai recolher os louros enquanto faz discursos de «nós somos os maiores da nossa rua», mas para que as mulheres deixem de fazer aborto nos vãos de escadas... E de facto, se existe este número de parteiras indentificadas, quantas REALMENTE CLANDESTINAS não existirão?:s
Eu sempre gostei de vãos de escada... Não sei porquê... E da expressão também. Mas não gosto de vãos de escadas mal frequentados, com grávidas e parideiras...
Estou contra campanhas pelo SIM ou pelo NÃO. Sou a favor de campanhas de informação, e isso não tenho visto ainda (nem acredito que vá ver).
Eu voto NÃO. Não tenho consciência moral, não tenho qualquer dúvidas de ética e, sinceramente, não estou muito precupado com o assunto. Concordo com a lei actual. Não vejo nenhum problema com esta lei. Vejo sim com a lei que caso o SIM tenha mais votos neste referendo vá permitir que os hospitais façam abortos (e sinceramente nem quero saber a razãos porque cada um os faz) comparticipados pelo estado e este mesmo estado não comparticipe os tratamentos de fertilidade.
Podem dizer que são casos diferentes, mas antes da liberalização do aborto provocado (e não aborto que é espontâneo nem interrupção voluntária da gravidez... foda-se, estão a enganar quem com eufemismos?) contribuam com algo para melhorar e não para destruir.
Sinceramente estou-me pouco cagando para este referendo. Se o SIM ganhar vem o governo e a esquerdalha dizer que são os maiores e a lei passa, se o NÃO ganhar, vem os resto do maralhal dizer que eles é que afinal são os maiores, e no final, o SIM passa na mesma na assembleia. Assim... foda-se! Grande referendo!
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