O dopping não se toma; apanha-se.
Ontem acabou (oficialmente, pelo menos...) a telenovela do caso de dopping do Nuno Assis. Lá levou um ano de suspensão. Como é normal nestas situações, vêm todos lamentar imenso e mostrar-se solidário com o jogador. Confesso que não percebo.
Embora não saiba, nem me interesse muito saber, se o Nuno Assis se dopou ou não, e se sim, se o fez conscientemente, acho sempre fantástico que de cada vez que um atleta português é suspenso por dopping, se faça dele um coitadinho. Como se tivesse apanhado um cancro ou tivesse sido atropelado na passadeira. O atleta nunca tem culpa! Ou foi o shampoo anti-caspa, ou os comprimidos para emagrecer, ou o médico da equipa se esqueceu de comunicar oficialmente que o atleta estava a fazer uma medicação restrita, ou mesmo o técnico do laboratório que com a bebedeira trocou a amostra de urina por uma de um toxicodependente qualquer, enfim, um azar mais ou menos rocambolesco. O que não pode nunca acontecer, é o jogador pura e simplesmente tomar dopping.
Entretanto, há dois casos no outro lado do problema: Lance Armstrong. O heptacampeão do Tour de France, esse sim, pelos vistos, e apesar de nunca ter tido um controlo positivo, é que se enchonfrava em tudo e mais alguma coisa, desde que fosse ilegal. Aliás, é óbvio: num desporto como o ciclismo, onde não há memória de alguma vez se ter apanhado alguém com dopping, está-se mesmo a ver que o americano se drogou para ganhar sete vezes seguidas! Assim, até eu! Bastava-me tomar umas injecções e lá ia, descontraidamente, Alpes a cima e Pirinéus abaixo de camisola amarela, ainda por cima com a vantagem acrescida de ter os dois colhões no sítio!
Se alguma vez me apanhassem, não havia problema; o pessoal mostrava-se solidário, chamava filho da puta ao francês que fez as análises e estava tudo resolvido. O outro, é o Deco, esse drogado. Nunca teve um único teste positivo, mas a maluqueira era tal que até teve de se ir tratar para Espanha (ficou desintoxicado numa semana; melhor só o pateta do Rio que cura arrumadores em três dias) . Se bem que este, eu percebo: da maneira que faz o que quer dos adversários, realmente, das duas uma; ou anda na coca, ou os defesas andam todos charrados...

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