quarta-feira, junho 28, 2006

Um bom exemplo!

Foi ontem atribuido o título europeu (referente ao campeonato de 2002) dos 100 metros a Francis Obikwelu. O velocista havia ficado em segundo, atrás do britânico Dwain Chambers nos europeus de Munique, mas após ter ficado provado (Chambers chegou mesmo a admiti-lo pessoalmente) que este último tinha corrido sob o efeito de dopping, foi-lhe retirada a medalha de ouro e automáticamente atribuida ao segundo classificado, Obikwelu.
A notícia podia acabar aqui, mas na edição de hoje do jornal "O Jogo" pode ler-se o seguinte:
""Para mim, o campeão será sempre Chambers. Eu serei sempre segundo", repetiu-o, ontem, a O JOGO, sem mostrar o mínimo de vontade de ser agora chamado "campeão europeu dos 100 m". "Foi na pista que ele me ganhou, será na pista que o hei-de derrotar", prosseguiu convicto, mesmo estando em causa o facto incontornável de Dwain Chambers ter confessado que ingeriu THG: "Isso para mim não quer dizer nada. Hei-de vencê-lo em Gotemburgo", prometeu Francis Obikwelu, parecendo encontrar neste Europeu da Suécia, daqui a menos de um mês e meio, a forma ideal de se compensar pela injustiça de em 2002 ter perdido para alguém que correu som moldes ilícitos."
Perante tudo isto, dou por mim a pensar na selecção nacional de futebol. Após o irritante jogo contra a Holanda, que venceu com o descarado recurso ao anti-jogo, nomeadamente ao não jogar nem deixar jogar toda a segunda parte, dando cacetada e fazendo fita sempre que possível, os responsáveis e jogadores da selecção, bem como esse verdadeiro mercenário do futebol que é Joseph Blatter, ainda reclamaram com o árbrito, quando quem o poderia ter feito eram os holandeses. Atenção; poderia, mas não deveria. Eu acho que a maneira correcta de lidar com estas coisas é a do Francis, e quando forem os Europeus de Gotemburgo, acho que vou por a bandeira na janela!

quinta-feira, junho 08, 2006

Não se esqueçam de por as bandeiras na janela.

Começa amanhã o mundial de futebol (quer-me parecer que irá ser uma boa fonte de postas para colocar aqui) daí diversos portugueses terem já colocado a bandeirinha na janela, tenha ela castelos ou pagodes chineses, esteja de pernas para o ar ou não. Este gesto é fortemente incentivado pelo seleccionador nacional. O vosso (e peço desde já desculpa se sentem insultados, mas a carapuça fica para quem se sentir bem nela) seleccionador nacional é o terceiro mais bem pago do mundial. Acima dele, só Sven Goran Erickson e Marcello Lippi. Entretanto, certamente desagradado pelo bronze no pódium da mama, o Sr. Scolari, há umas semanas, andou de olho no posto do sueco, tendo depois voltando atrás e veio bater com a mão no peito dizer que Portugal é que era bom e por aí fora, certamente depois de ter pesado bem os prós e contras e ter chegado à conclusão que apesar de ganhar mais, Erickson sempre tinha mais consumições que ele, como por exemplo, jornalistas disfaçados de Árabes a desmacararem a sua prontidão para se por a mexer para o meio dos camelos em troca de mais uns dólares.
Em Portugal, o máximo que acontece ao Sr. Scolari é uma meia dúzia de pessoas contestarem as suas opções e estranharem as palas que tem ao lado dos olhos, e a esses, o Sr. Scolari reponde assim, como se vê no jornal brasileiro Zero Hora, quando confrontado com as tais criticas:

"- Uns quatro ou cinco intelectuais - rosnou(Ah! Afinal ele rosna... Sempre pensei que grunhisse...) . - Aqui, quando eu falo em bandeira, em pátria, em nacionalismo, é porque sou pregador. Na verdade, é preconceito contra brasileiro mesmo. Eles têm bronca, raiva e inveja dos brasileiros.

Felipão tem de cabeça a curta lista de desafetos:

- Um diz que é cineasta (referia-se a António Pedro Vasconcelos). O outro, o pai dele foi um grande escritor. O pai, né, porque ele é uma bosta (Miguel Sousa Tavares - o Sr. Scolari, e já que estamos numa de merda, esse grande cagalhão, que tem um livro de fino recorte literário publicado, aliás como as frases anteriores e as que se seguem, confundiu Sophia de Mello Breyner com o pai de Miguel Sousa Tavares). Um terceiro ganhou uma herança do tio e ficou rico (Rui Santos). E tem uma mulher famosa aqui que diz que é a Marília Gabriela de Portugal (Judite de Sousa, mulher de Fernando Seara). Só. Não entendem nada. Me criticaram porque coloquei a seleção a treinar num clima de 27ºC. Nós treinamos às cinco e meia da tarde, aí está uns 23. Quando formos jogar na Alemanha, com 15 graus, os jogadores vão estar voando"

Cá fico à espera dos altos voos orientados por este senhor que cospe no prato que come.

Apesar de tudo, este ainda é um motivo menor para ridicularizar as bandeiras. Experimentem fazer uma compra online de fora da UE e pode acontecer-vos como a mim, que fiz uma encomenda dos Estados Unidos, que demorou cinco dias a chegar a Portugal e depois ficou retida na Alfandega de Lisboa por três semanas, isto apesar de eu ter enviado o recibo com o valor da encomenda e o requerimento para desalfandegamento no próprio dia em que a mesma ficou alfandegada.
Já me custa a perceber a prática dos sucessivos governos, que impotentes para cobrar os milhões que os magnatas portugueses deveriam pagar e não pagam, recorrem à maneira mais fácil de colmatar essa dívida, ou seja através dos impostos ao consumo exorbitantes (IVA, imposto automóvel, imposto sobre os combustiveis e outros que tal...) massacrando mais uma vez o comum dos cidadãos, mas ainda me custa mais que quando um desses cidadãos tem fair-play e se conforma, decidindo pagar sem trafulhices adicionais, esbarre em burocracias que transformam o fascinante acto de comprar em segundos um objecto do outro lado do mundo numa espécie de importação de canela e pimenta no tempo dos descobrimentos, e tenha de passar três semanas a contactar toda a espécie de incompetentes diversos para obter algo que é seu.
Entretanto, não ficamos por aqui; hoje no site da TSF pode ler-se o seguinte:
Responsável máximo dá bofetada a criança
O director-geral da Casa do Gaiato deu, esta quinta-feira, uma bofetada a uma criança de cinco anos, enquanto estava a ser entrevistado por um jornalista da agência Lusa.

( 13:54 / 08 de Junho 06 )


De acordo com o jornalista da agência Lusa, o responsável máximo da obra do padre Américo desmentia os maus-tratos na instituição quando uma criança tentou aproximar.

Depois de, por diversas vezes, a ter mandado embora, o padre Acílio Fernandes deu-lhe uma bofetada, explicando depois ao jornalista que a estalada não era considerada um mau trato.

«Isto não foi um mau trato, foi um bom trato. Não me viu antes agarrá-lo ao colo, acariciá-lo e beijá-lo? Sabe quem faz isso? É um pai. Nós aqui não somos directores, somos pais de família», justificou.

Só me merece um comentário: ó Acílio, quem te fodesse o focinho...
Portanto, estimado leitor, não consigo mesmo entender qual o motivo de tanto orgulho. Mas se calhar o problema é meu, e talvez deva emigrar para... sei lá... a Serra Leoa!

P.S.- Entretanto, nos últimos dias, aconteceu algo de surpreendente, a tal excepção que confirma a regra: A RTP transmitiu uma reportagem sobre a extrema direita em Portugal. Nesse mesma reportagem o líder da frente nacional (que foi um dos acusados do assassinato de Alcino Monteiro no Bairro Alto) exibia orgulhoso uma shotgun que parecia saída de um qualquer filme de "tiros, bombas e murros nas trombas", dizendo que estava pronto para a qualquer momento, juntamente com os seus companheiros que, segundo ele, estão equipados com armas do género, tomar as ruas de assalto em defesa da pátria. No dia seguinte, numa invulgar demonstração de eficácia, foi visitado em casa pela polícia, que lhe apreendeu o tal canhão e mais duas armas ilegais, tendo-o apresentado depois ao juiz que o deixou em liberdade mediante prestação de termo de identidade e residência.

sexta-feira, junho 02, 2006

O regresso do cabeça de abóbora

A seguinte notícia foi retirada do site oficial da Câmara Municipal do Porto:

"A Câmara do Porto instalou hoje, na Rotunda da Boavista, o primeiro de vinte wc´s para cães que serão colocados um pouco por toda a cidade. Denominada EcoCão (sempre inspirado, o dinâmico presidente da dita autarquia), a estrutura ocupa uma área de aproximadamente dois metros quadrados revestida com areia, e é constituída por um mini-poste (na minha casa, chama-se áquilo um cepo...), um dispensador de sacos e uma papeleira (acreditem que é verdade; eu vi na TV e tem um aspecto tão ridículo como a "memória descritiva" anterior).
Totalmente construído nas oficinas da autarquia portuense - o que baixa o custo de cada unidade uma vez que é apenas necessário comprar o material (de onde se depreende que as ditas oficinas recorrem a mão de obra escrava; devem ser os arrumadores que, ao que dizem, desapareceram das ruas do Porto)- o EcoCão é um sistema sanitário para cães totalmente inovador em Portugal (categoria!), existindo já em alguns países europeus (afinal, já não tem tanta categoria como isso... paciência!).
O Presidente da Câmara Municipal do Porto, que se deslocou ao local (houve um repórter, na emissão da SIC, que vencido pelo ridículo da situação, fez duas perguntas pertinentes ao selecto edil: 1º- E os gatos também podem cá vir? 2º- Desculpe Sr. presidente, mas eu não resisto: O Sr. não tinha nada de mais importante para fazer hoje? - assim tal e qual; juro! Alguém que dê um prémio áquele homem!), salientou a importância de estruturas como estas para a preservação da higiene pública, uma vez que «são inúmeras as queixas que chegam à autarquia por causa da sujidade dos passeios»(ainda dizem que o Dr. Rui Rio não ouve a população; ele ouve! Mas só acerca de coisas importantes... tipo... cagalhões e assim...). O autarca lembrou que as primeiras vinte estruturas agora colocadas fazem parte de uma fase experimental e que a sua colocação só será continuada se houver uma melhoria significativa das artérias que circundam o EcoCão. «Esta nova experiência vai depender do civismo das pessoas e da sua utilização do EcoCão (mas afinal isso é para as pessoas cagarem? Ó Sr. Presidente, desculpe, mas eu exijo, no mínimo, papel higiénico e um porta revistas...) e se isso acontecer a cobertura será total», revelou o autarca. Rui Rio concluiu, salientando que se associou a esta iniciativa, não só «porque as queixas são imensas», mas também porque «as câmaras não vivem só de grandes obras (pois não! Ele que o diga que ganhou as eleições duas vezes sem saber ler nem escrever...) e, por vezes, é necessário estar atento aos pequenos pormenores para se atingir um objectivo maior» (esta, confesso que não percebi... Será qualquer coisa do tipo "Hoje os cagalhões, amanhã o mundo"?).
O EcoCão ficará instalado em vários locais da cidade, tais como, Rotunda da Boavista (2), Avenida Montevideu (2), Av. Brasil, Jardim do Passeio Alegre, Praça Francisco Sá Carneiro(quer dizer, na rotunda da Boavista e na Avenida Montevideu, levam dois; na praça Francisco Sá Carneiro, só um... Sempre pensei que o nosso autarca tivesse mais respeito pelo fundador do seu partido; pelos vistos, não, está-se a cagar para ele...), Lago Poente do Parque da Cidade, Jardim entre a Rua da Sá da Bandeira e a Rua das Carvalheiras, Parque das Pasteleira, Praça da República, Praça Nove de Abril, Quinta do Covelo, Rua Damião de Góis, Jardim da Avenida Camilo, Jardim do Largo Soares dos Reis, Alameda Eça de Queirós, Jardim do Foco, Jardim da Rua Cantor Zeca Afonso e Praça da Galiza.

Chego a pensar que se calhar o ex-presidente e pau mandado do Salazar, Américo Thomaz (que, para quem não sabe, era apelidado de "Cabeça de Abóbora" e especialista em inuagurações, jantaradas e abotoanços diversos, bem como autor da imbecil frase "É a primeira vez que cá estou, desde a última vez que cá estive" e que repetia a cada passo) afinal não era tão burro como o pintam. Que se saiba, nunca foi na conversa de inaugurar cagadeiras para cães. No máximo, uma retrete pública ou outra...