quinta-feira, março 16, 2006

Quem me dera ser velhinho!

Olá rapaziada! Sentiram a minha falta? Já sei que não escrevo nada que jeito tenha desde Novembro, e podia dar-vos mil e uma justificações válidas para isso. Mas iam ser mentira e não se deve mentir a um público tão selecto como este. Pura preguiça, foi o que foi...
Nos últimos tempos, no entanto, aconteceu algo que me tem afastado de cadeiras no geral e desta onde me sento agora em particular. Ando à rasca das costas! Dei um "mau jeito"... Podia dizer-vos como foi, mas como as pessoas não acreditam e abrem um sorriso malicioso de cada vez que lhes conto, vamos fazer o seguinte:
O estimado leitor fará o favor de imaginar a situação sexual mais depravada possível. Já está? Pronto, foi exactamente assim! Furtamo-nos desta maneira a passar por sorrisos imbecis e insinuações idiotas.
Empenado o costado, e como a coisa não evoluisse favorávelmente apesar da automedicação e das botijas de água quente resolvi consultar um especialista em ortopedia, que apesar de ter mais do que idade para ter juizo e de não me conhecer de lado nenhum fez também questão de lançar a atoarda de cariz sexual, numa clara manifestação de crise de terceira idade, mas ainda em fase de negação.
Efectuada a TAC (sim, TAC é feminino, pois é a sigla de "Tomografia Axial Computadorizada". De nada...), chega-se à conclusão que sou vítima de uma "Protusão discal de base larga, posterior mediana em L5-S1, que acarreta compressão da vertente anterior do saco tectal", que é como quem diz, "-Não tens nada, mas já que tenho de escrever um relatório deixa-me lá puxar estilo..." Posto o tal velhinho tarado ao corrente do resultado, o mesmo (o velhinho, não o resultado...) manda-me emagrecer e fazer natação. Não liguei. Primeiro, porque a minha mãe continua a insistir que eu estou magro como um cão, e mãe é mãe. Segundo, porque uma piscina, é muita água junta... Se ainda fosse cerveja... Ainda ponderei nadar no mar, porque esse apesar de ter ainda mais água, também tem camarões, que como se sabem dão-se tremendamente bem com os finos, mas acho que as temperaturas glaciares do mesmo não são grande ajuda para o reumático.
Posto isto, e descartadas as outras opções, comecei a fazer fisioterapia.
Dou então por mim numa sala com semi-cadáveres diversos, que passam a vida aos "ais" a tossir e a perguntar quando chega a vez deles, enquanto, tremendo a cabeça, olham para a TV que transmite um dos invariavelmente intragáveis programas de entertenimento vespertino. Tirando alguns putos de colo, sou o cliente mais novo que já vi por lá. Depois, passo para a sala de tratamentos, que está dividida em pequenos cubiculos individuais e onde se dá um fenómeno engraçado: apesar de não se verem, os velhinhos passam o tempo a falar uns com os outros, havendo alguns que são meninos para manter conversas com três e mais pacientes, transformando a clinica numa espécie de "Msn messenger" da terceira idade. A irrelevancia das conversas é exactamente a mesma, mas estes, vá-se lá saber porquê, não dizem "lol" nem mandam "bjinhux". Normalmente, despedem-se com um "Até amanhã, se Deus quiser!" Não, que o respeitinho é muito bonito e eles sabem que a qualquer momento podem dar o pio, bastando para tal que o Criador acorde com os vinagres... (Dizem-me agora que Deus não dorme... Bem, que se lixe, siga para bingo!) Não sei se será por isto, mas o staff da clinica fala com eles como se de atrasados mentais se tratassem, o que não me incomodava nadinha, não fosse o facto de me tratarem da mesma forma, quando me explicam que "me vão ligar a uma máquina que faz umas formiguinhas, mas que não doi nada". Adimito no entanto que há algo que me faz desejar ser assim velhinho: a previsão meteorológica! Aquela gente não precisa de boletins para nada! Imagens de satélite? Para quê? Quando se tem um joelho que doi ao mínimo sinal de humidade, não se precisa do anti-ciclone dos Açores para nada! Mas o que me lixa é que eles acertam mesmo ! Ainda anteontem o Sr. António, que é mais torto que os pés do Secretário e trata as terapeutas abaixo de cão, dizia, em resposta a alguém que se queixava do calor que não tardava o tempo virava porque já lhe doia o ombro ou lá o que era. O que é facto é que hoje temos um dia nublado e mais frio que lhe dá razão! Fantástico.
Bem, deixo-vos por agora, porque tenho de ir fazer o tratamento e estou ansioso por ouvir a D. Adelaide contar à D. Antónia as tropelias que o neto "mainovo" dela fez hoje, porque o "raça do rapaz faz-lhe a cabeça em água, quinda onte le teve de marcar aquele cu todo, porque o diabo do moço não queria ir á escolinha, tudo porque o irmão mais velho estava doente. Sabe como é, no domingo fomos à Ribeira, ele andou ò Sol, depois comeu um gelado... Raio da canalha que só tráz cunsumições, que na minha altura..."