sexta-feira, outubro 14, 2005

Em que votaste?

Passei a semana incrédulo com os resultados das autárquicas. O Rio ganhou. Mais grave ainda, todos os ladrões unanimes também (excepção feita ao Avelino, que foi vítima da regra que impõe uma excepção que confirme todas as outras). Dou por isso a pensar o que falhou. Fácil. É o calcanhar de Aquiles da democracia desde sempre: Quem falhou foi o povo.
O povo é constituido maioritariamente por mentecaptos que colocam os malucos do riso no topo de todas as listas de audiências desde há anos. Que permitem que Tinos de Rans, Castelos Brancos, padres Borga, Malatos, Gabrieis e Mouras Guedes lhes invadam diariamente o sossego do lar. Que armam gritarias às portas de tribunais. Que não fazem ideia em que estão a votar. Apenas votam. E votam naquele individuo em particular porque lhes plantou uma horrorosa fonte luminosa na praça central, independentemente de com quanto este se tenha abotoado através da superfacturação da mesma. E votam naquele partido porque sempre foi assim. No da mão fechada; no da seta; no das setas; no da foiçe; no dos charros e abortos... Só sabem em quem estão a votar. Não sabem em quê...
Neste momento, alguns de vós estarão a chamar-me fascista. Já disse que sou portista. De qualquer maneira os textos devem ser sempre lidos até ao fim, sob pena de vos acontecer o que aconteceu ás vossas avózinhas quando foram naquela excursão de degustação de mexilhões à Coruña e voltaram de lá com um colchão ortopédico que pagarão para o resto da vida (...mas eles ofereciam um relógio de parede... bem bonito!)
De qualquer maneira, confesso que a minha utopia para um sistema politico perfeito passava pela implantação de uma ditadura dirigida por alguém de extremo bom senso, que não falhasse nunca e tomasse sempre a decisão correcta. É tão impossível como a romântica anarquia, mas com a vantagem que só seria necessário arranjar um gajo do caralho, em contraponto a sermos todos gajos do caralho, por forma que a coisa não descambasse. Assim, e perante estas impossibilidades, sugiro o seguinte:
Em futuras eleições, anexado ao boletim de voto, viria um pequeno questionário referente ao manifesto eleitoral apresentado pelo partido ou candidato em que o cidadão tenha depositado a sua esperança; (em escolha múltipla, verdadeiro ou falso, qualquer coisa assim...) o desconhecimento do referido programa implicaria a anulação liminar do voto.
Por outro lado, no fim de cada mandato, o incumprimento de parte substancial do mesmo programa (digamos... 80%!) impediria que o referido candidato e respectiva equipa se candidatasse ao que quer que fosse no futuro, comissões de festas da romaria lá da terra incluidas. Além disto, todo e qualquer chuleco que andasse a meter para a blusa dinheiro do herário público ficaria de imediato impedido de trabalhar para o estado. Nem a administrador da RTP, nem a almeida da câmara municipal de Campo Maior.

segunda-feira, outubro 10, 2005

1 ano brootal.

O Brootalidades faz 1 ano. Coincidentemente, esta é a posta número 50.
Gostaria de agradecer a todos os que têm passado por este circo de feras, palhaços e malabaristas e que me fazem continuar, seja pelas palavras de incentivo ou de repúdio (a estes últimos, agradeço especialmente; enquanto voçês andarem por aí a conspurcar o ar que respiro terei sempre sobre quem escrever). Registada a efeméride, chega a hora de acabar com mariquices e ir à Ribeira festejar convenientemente na companhia de umas loiras (das de litro) e de um amigo inglês que acaba de se mudar para Portugal, após se ter entusiamado aquando a sua passagem aqui pela terrinha durante o Euro 2004 (não está bem a ver o filme em que se meteu, mas tudo bem...). De qualquer forma: "Welcome back mate!"
Obrigado a todos!

terça-feira, outubro 04, 2005

Festa Tribal

Apagam-se as luzes e pelo som das colunas começam a presentir-se as guitarras a mover. O baterista senta-se e vê-se um vulto, encimado por uma cabeça de olhos salientes que já vem a abanar ao som dos primeiros acordes ao entrar no palco. Pronto! A máquina está em movimento...
E que bem que rola! Os mais sensíveis à beleza destas demonstrações sentem as costas a retesar, rasgam um sorriso, lançam o resto da cerveja pelo ar e voam para as grades. Gritam até ao fim da capacidade pulmonar, com as cordas vocais já arrependidas de não terem ficado em casa, mesmo sabendo que passarão os próximos tempos a explicar orgulhosamente, e com uma rouquidão que não deixará margem para dúvidas, quão potente o concerto foi.
Mesmo os menos extravasados apreciam um espectáculo digno, sempre cortado por momentos de, digo-vos mesmo, pura beleza visual. Gente a subir ao palco. Gente a descer do palco. Gente a cair do palco. Gente a voar do palco. Gente a cair de costas ao tentar subir ao palco, e a tornar a cair ao tentar levantar-se. E ainda há aquela massa, que qual besta ferida se contorse em redor do microfone espetado no lombo desde cima do palco, agitando os seus diversos pares de braços e muitas cabeças. Lindo.
Apesar de tudo isto, ou por causa de tudo isto, a máquina continua a debitar movimento bem cadenciado e sempre com a máxima força.
Para os potenciais insaciáveis, servia este concerto para lançar também um fantástico registo de uma outra celebração anterior, e que entre outras coisas serve para fazer com que o meu pescoço continue a doer por o estar a abanar ao som do album ao vivo "Festa Tribal" enquanto partilho convosco a minha satisfação por ter estado no Hard Club.
Entretanto, a sala de concertos Gaiense deve de estar para receber nos proximos dias uma visita de peritos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, intrigados com o facto de se manter de pé, pois o concerto de sábado foi seguido por um brutal concerto de Death Metal, encabeçado pelos Nile e tinha já sido precedido por um embriagante concerto de Tankard acompanhados por Angriff e Pitch Black (cada vez melhores!).
Quem toca também cada vez melhor são os Larkin, que foram ajudados na tarefa de preparar terreno para Mata-Ratos pelos X-Cons e Freedoom, que estiveram muito bem apesar de terem sido surpreendidos pela chamada para substituir as ausências de última hora de Motornoise e All Against the World, provocadas por imprevistos daqueles que (mesmo) ninguém antecipa...
Finda a demonstração de força, e já por um Hard Club vazio, de nada teria servido aos gatos que lhe ajudam a dar vida vagear em busca de ratos mortos. Não havia. Afinal, eramos todos Homens!

Parabéns ao Quisto pelo seu aniversário e por ter posto o circo em pé.