Antes de mais nada, devo o titulo desta posta a um romeno que trabalha numa bomba de gasolina em Viana. Ele diz que aprendeu isto em Itália e chama-lhe a regra dos três "S", num nítido atentado à ortografia da língua portuguesa, mas ainda assim é um pregador nato, e eu dou sempre mais valor ao conteúdo do que à forma.
Vem este título a propósito dos incêndios, que mais uma vez ensombraram o brilho ao Verão luso, que tanto jeito dá aos cartões postais cá da terra e que todos os anos convencem milhares e milhares dos mais puros javardos ingleses a virem até ao Algarve apanhar umas cardinas e distribuir (ou colher, conforme a aptência para a coisa...) uns pares de estaladas.
Este ano tive o fogo a umas dezenas de metros de casa, sem que esta tivesse estado alguma vez em risco, e o mesmo destruiu, julgava eu, o monte que eu explorava com os amigos quando criança. Afinal, passados uns dias após o fogo terminado, fui para o tal monte (onde admito não ir há anos...) e cheguei à conclusão que o mesmo não tinha ardido. Em vez disso, alguém tinha terraplanado a área, e consequentemente cortado todo o tipo de vegetação, inclusivé as mimosas, que eram a melhor matéria prima disponível para construir cabanas. Depois puseram lá uma placa que diz: "Urbanização Encosta das Mimosas".
Tudo isto, ajudado pelo facto de ter visto o Sol vermelho (vermelho!, imaginem só....) durante três dias devido à cortina de fumo fez-me reflectir a sério no problema dos incêndios em Portugal, e decidir escrever sobre o assunto aqui. Assentada a cinza e dissipado o cheiro a fumo, depois de analisado todo o tipo de argumento sobre o assunto, desde os articulados por analfabetos funcionais (os tais...) em tascos por todo o país, aos postos ao dispor do público pelo Professor Marcelo, chego à conclusão que a culpa não é dos madeireiros, nem dos bombeiros, nem dos empreiteiros, nem dos fogueteiros, mas sim dos paneleiros... Sim, dos paneleiros. Dos paneleiros dos nossos governantes. Gajos a quem, dos três "s", falta sempre enevitavelmente, pelo menos um, normalmente o correspondente ao coração ou aos colhões, quando não faltam dois ou mesmo os três... Ora vejamos:
Todos os anos é a mesma merda, admita-se... Com mais ou menos sorte, lá vão ardendo menos ou mais áreas "equivalentes a campos de futebol". Aconteceu a todos os governantes que nos ultimos anos se serviram desta puta republicana que é Portugal. Em que outro país que não esteja em guerra as pessoas sabem o que é um helicópetro Puma? Ou um Canadair?
E agora, para algo ainda mais grave:
O nosso maior problema não são os incêndios! O nosso maior problema é o nacional porreirismo.
O nacional porreirismo, também conhecido por falta de colhões, é o que faz que se continue a habitar calmamente um país minado desde as bases pela corrupção. Acho sempre muita piada quando se diz que a corrupção tem o seu expoente máximo no futebol. Quer dizer, andam uns meninos a enganar-se uns aos outro de volta de uma bola, a pagar "quinhentinhos" aos árbitros ou a mandá-los para o Brasil, maioritariamente às custas do dinheiro de doentes (como eu...) que pagam cotas, bilhetes para o futebol (ao preço dos de concertos dos U2) e mensalidades da Sport TV , e os governantes e autarcas (alguns acumulam roubalheiras dos dois lados, não é Valentim e Santana?) que andam a esmifrar o herário público há anos, é que são os sérios? Ainda se lhes pede que ponham cobro à corrupção no futebol!
Tudo isto tolerado pelo nacional porreirismo! A culpa é do Guímaro, do Calheiros e do Pinto!
Desde os tempos da ditadura que eu, felizmente, não vivi, que não pode haver um gajo com tomates que ponha a mão nisto sem ser chamado de fascista. Dos que cortam a direito! Como é que gajos como o António Vitorino abandonam o governo porque o Independente (acho que foi o Independente... se não foi, o efeito prático é o mesmo) denunciou que o à altura ministro fugiu à SISA e passados tempos o mesmo gajo é comissário europeu enquanto cumpre a "travessia do deserto"? E quem foi o parvo que ofereceu ao mesmo gajo a oportunidade de ter um programa em horário nobre na televisão do estado para dissertar irrelevâcias ao redor dos problemas do país e da Europa? Eu não sei quem foi, mas de certeza que é um gajo porreiro! E se deixassem de haver gajos porreiros? Era ssim:
"-Ai querias comprar pinheiros baratos e pegaste fogo ao monte? Vais preso!"
"-Ai aceitaste um T4 em troca de deixar construir uma casa em frente à praia? Vai preso!"
"-Ai querias construir aqui e pagaste aquele puto para pegar fogo ao monte? Vais preso!"
"-Ai aceitaste 200 mil contos para ser o empreiteiro Bonifácio a construir o IC 324? Vais preso!"
"-Ai és maluquinho e querias houvir as sirenes, por isso ardeu tudo? Vais preso!"
"-Ai deixas os Pumas da força aérea em terra para ser o teu primo que tem um helicópetro a empochar para apagar os fogos? Vais preso!"
"-Ai são as festas à Santa Eulália e a comissão fabriqueira mandou atirar foguetes à balda sem respeitar avisos e nem avisar ninguém e arderam 15 000 hectares? Vão presos!"
Mas não... Não pode ser... Não é democrático! É fascista! Vai daí, o nacional porreirismo impera e em vez de haver colhões, armam-se em maricas e instutuem a época oficial de fogos (agora até se armam em maricas ainda maiores e acabam com a época oficial de fogos para acabar com os fogos... Tem lógica!) e fazem umas merdas muito giras, tipo boletim meteorólogico, a dizer onde vai arder amanhã!
P.S.- Qualquer panasca refundido que, vá-se lá saber porquê, venha parar a este blog e se sinta ofendido por ver a sua classe misturada com a dos ladrões (eu também não ia gostar, admito), antes de escrever qualquer estupidez na secção dos comentários, pode desde já ler a minha posição oficial acerca da mariquice efectiva
aqui.