quinta-feira, julho 14, 2005

O direito à felicidade.

Ontem, à porta do tal tasco do costume, o da posta "Filho da Puta" (por falar nisso, o gajo estava lá e teve a inteligência de retribuir a simpatia de me ignorar completamente), uma das tais comunas de merda de que falei na mesma posta, tentava convencer um amigo dos maleficios da descriminação, seja esta dirigida a pessoas de raças ou de orientações sexuais diferentes. Nobre intenção, lamentavelmente manchada pelo uso dos lugares comuns useiros neste tipo de discussão:
-Andamos a explorar os africanos durante anos e agora é natural que se revoltem...
-É normal uma pessoa sentir-se atraida por alguém do mesmo sexo...
-Eu também acho mal os gays andarem aos beijos no meio da rua, a dar espectáculo, mas se perguntares à maioria dos gays eles também acham. E se fosse um casal heterosexual também achava. (namora às escondidas, esta...)
-Não se pode generalizar... (e agora reparem na coerência...) Eu não gosto de ricos e não digo que não haja alguns porreiros! (até o skinhead mais activista, com um certo esforço admitirá já ter conhecido um preto porreiro ao longo da sua vida)
Estava a conversa nestes termos, e de tal maneira que resolvi não intervir por ser manifestamente inútil, quando a começo a sentir chegar... A bomba! Um silvo a cruzar os ares e uma explosão implacável:
-Toda a gente tem o direito a ser feliz!
KaBoooooom!!! Milhares e milhares de neurónios mortos e milhões deles com o futuro hipotecado pela radiação!
Ora cá está algo que eu não sabia. Embora não seja um homem das leis, não sabia que a contituição consagrava o direito à felicidade.
Todos aqueles dias que me tenho sentido infeliz (não são muitos, felizmente) podia ter chamado a polícia!
-Sr. agente, o meu direito à felicidade não está a ser respeitado. Queria que o Sr. agente entrasse no relvado e identificasse aqueles Srs. de azul e branco às riscas e que estão a jogar muito mal, porque eu quero apresentar queixa. Ah, e de caminho mande alguém lá acima e descubra quem foi o responsável pelo nevoeiro de anteontem na praia.
Era giro. Principalmente para estes depósitos de areia cobertos a rastas. Já não se dão ao trabalho de pensar, agora escusavam de se dar ao trabalho de ser felizes!
Ninguém tem o direito a ser feliz. Quando muito, acho que se deve dar a oportunidade de tentar a toda a gente, mas não me parece correcto colocá-la ao dispor de todos numa bandeja. Primeiro, porque então a felicidade perderia todo o seu valor; segundo, porque por vezes a felicidade de uns implica a infelicidade de outros e chuva no campo e sol na eira, está provado que não é possível de obter...
Assim, sugiro a todos que procurem a vossa própria felicidade, sem esperarem que vos venha cair no colo e caso se dê a feliz ocorrência de a conquistarem, preparem-se porque não é para sempre e vão perdê-la mais cedo ou mais tarde, por um espaço de tempo maior ou menor.
Não vos parece apelativo? Então deixem de viver e organizem-se. Façam manifestações a exigir que coisas como cancros, acidentes de automóvel, incêndios, derrotas da vossa equipa, dias nublados, chumbos na pauta, despedimentos e zeros no Euromilhões sejam considerados inconstitucionais.

1 Comments:

At julho 21, 2005 10:15 da manhã, Blogger andreafonso said...

Simplesmente, 5 estrelas!

Abraço,
André

 

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