terça-feira, junho 28, 2005

Comunicado.

O Grupo Separatista Hámosh vem por este meio reivindicar o atentado ocorrido ontem na Rua de Santa Catarina, bem como pedir as sinceras desculpas a todos os civis atingidos.
A ideia inicial era atingir o perspicaz presidente da Câmara Municipal do Porto (não foi na treta do cilindro nem da botija de gás...), nomeadamente através da explosão dos Paços do Concelho, onde à hora do atentado o autarca se encontrava a levar a cabo uma sessão alargada de fricção do testículo, ora o esquerdo, ora o direito, enquanto, simultâneamente, se dedicava a alinhavar meia dúzia de barbaridades a colocar ao dispor dos repórteres nos próximos dias, sempre na linha das publicadas nos últimos dias, das quais passamos a reproduzir as mais embelemáticas:
"- Se há arrumadores no Porto, não são toxicodependentes!"
"- As obras na Avenida da Boavista não têm nada a ver com o Grande Prémio de Fórmula 1 de Clássicos."
"- Neste momento assiste-se a um novo fenómeno que é a chegada ao Porto de arrumadores dos concelhos vizinhos em busca de tratamento."
O atentado não resultou por diversas razões, que passamos a expor:
- O briefing da operação foi levado a cabo na Ribeira, e, apenas como forma de camuflagem, para passarmos por comuns bebados, tivemos de aviar meia dúzia de litrosas por cabeça, o que veio a afectar o cérebro de alguns dos membros, tanto a parte responsável pelo raciocínio como a responsável pela função locomotora.
- A fim de tentar diminuir os danos provocados pela Super Bock, nomeadamente através da ingestão de francesinhas para enxugar o liquido e criar lastro, dirigiram-se os operacionais da célula portuense do nosso grupo ao Bufete Fase, catedral da francesinha, sito a escassos metros do local da deflagração do engenho explosivo artesanal (por falar nisso, era feito à base de bagaço caseiro, acendalhas "Samba", adubo "Substral" e limalha de aço).
- Após a saida do dito establecimento, o nosso operacional que estava encarregue de transportar a bomba, pousou o saco desportivo, com as cores do FCP, onde esta estava dissimulada, com a finalidade de aliviar a bexiga, tendo-se depois esquecido de tornar a pegar nele.
- Os restantes operacionais, que se encontravam uns metros à frente a entoar a "Pedra no Sapato", hino oficial do grupo, não se aperceberam do lapso e quando deram por ela já a bomba deflagrara e já as velhas corriam em direcção ao local, histéricas, aos gritos, com a mão sobre o lado esquerdo do peito e a fazer aquele som "nhac, nhac" característico com os chanatos.
Pedimos assim, mais uma vez, desculpas a todos a quem o atentado causou transtorno e fica a promessa de uma nova tentativa futura, quem sabe para o dia 1 de Novembro, para quando está marcado um jantar-convívio comemorativo dos 250 anos do terramoto de Lisboa.

Ohlamar seja louvado!

quarta-feira, junho 08, 2005

Filho da Puta!

Saio de um dos tascos do costume. Está um velho caído no chão. Falta-lhe uma perna. Amputada. Cheguei agora e está mais de uma centena de pessoas na praça. Se calhar já alguém falou com ele. Se calhar quer estar assim. Passados dez minutos, continua o velho, sem perna, deitado no chão. Não parece que esteja muito incomodado, mas se calhar não era pior ver o que se passa... Afinal, já se tentou pôr a pé e não conseguiu. Vou lá!
- Amigo, o Sr. está bem?
- Não... Tenho diabetes...
- Olhe, vou chamar uma ambulância, está bem?
- É melhor...
Quando me levanto já um doutor improvisado está a ligar:
-Sim? Tenho aqui um Sr deitado no chão... Deve estar alcoolizado, fala e tem pulso (quem diria...) É melhor virem cá.
Enquanto a ambulância chega e não chega, e durante a explicação do aspirante a arquitecto paisagista acerca dos malefícios do alcool na população envelhecida (porque ele é que era... Bebia e nunca caía...) ouço, afastado de mim, um pouco atrás, o Filho da Puta a dissertar para uma plateia de sorridentes débeis mentais:
- Olha para isto! Este gajo embebeda-se e agora vai para o hospital gastar o nosso dinheiro dos impostos!
-Olha, desculpa, -disse-lhe- deixa-me olhar para ti... É que assim, se por acaso te encontar amanhã estendido no chão, deixo-te estar, para não desperdiçar os impostos de ninguém. E já agora, que impostos é que tu pagas? E se fosse um cão que estivesse ali? preocupavas-te?
-Preocupava-me mais...
-Então és um fascista armado em comuna de merda! (O comuna de merda é aquele ser que acha que o principal problema do país, juntamente com a proíbição do consumo de drogas leves e do casamento entre homosexuais, é o da legalização do aborto. Não confundir com os comunistas! Esses andam perdidos, mas ainda fazem algum sentido. Os comunas de merda andam espalhados por todo o espectro político de esquerda, sendo que no da direita existe o equivalente engravatado, mas agora denominado de "Cagão de merda") Dava um colhão para te ver debaixo de um autocarro!
Posto isto, viro costas e observo as manobras de evacuação do velho.
O Filho da Puta segue-me e diz que paga o IVA.
-Só o IVA? Não declaras o vencimento para o IRS?
-N-não...
-Então não pagas IVA, foda-se! Se não declaras rendimentos, é porque gastas o dinheirinho do pai, e consequentemente, quem paga o IVA das tuas compras é ele...(Como o meu... O meu pai paga mais de metade do IVA das compras que eu faço... O restante é pago pelo vencimento do meu Part-Time, sendo este declarado excrupulosamente às finanças.)
-Eu nao falo com o meu pai... - diz rancoroso- Há seis anos... Não tenho pai.
Ora, quem orgulhosamente descarta um pai desta maneira, é filho da mãe... Ou seja, o popular eufemismo que se substitui nos salões de chá ao clássico Filho da Puta!
O Filho da Puta continua armado em parvo, enredando-se na sua própria teia:
-O dinheiro que gasto é ganho por mim, em trabalhos de decoração, mas não passo recibos porque não ando aqui a dormir. Pago o IVA e o selo do carro e já é muito...
Brilhante! Temos aqui um confesso praticante de fraude fiscal, preocupado com o destino dos impostos que não paga, o grandecíssimo Filho da Puta!

P.S.- O velho foi para o hospital e segundo os paramédicos não era nada de que não recuperasse depressa. Assim espero.