segunda-feira, maio 30, 2005

Super Bock, Super Rock

Bem, lá fui eu a Marrakexe para o Super Bock Super Rock. Depois de uma viagem de grande nível, onde de facto o verdadeiro espirito ainda vive, veio música:

Wednesday 13 - Bom concerto, embora prejudicado pela falta de publico e pela fraca qualidade do som. Estava curioso para os ver e foi mais ou menos como estava à espera

Mastodon - Só tive contacto com a música deles depois de saber que vinham ao festival. Penso que é daquelas bandas que tem de se ouvir muitas vezes para o som entrar e que depois se tornam viciantes. Como dizia o outro "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Comigo ainda não se entranhou mas para lá caminha. Deram grande concerto mas o som mais uma vez estava mau e demasiado alto, de maneira que tive de me afastar um pouco quando comecei a ter os ouvidos a apitar .

Slayer - Aqui sim, grande concerto sem falhas a apontar. Acho que os organizadores de concertos em Portugal por esta altura já deviam ter percebido que quando quiserem ter bandas de Metal a partir tudo devem ir às Páginas Amarelas e procurar em "Clássicos". Slayer, Metallica, Megadeth, Iron Maiden, Machine Head, Sepultura e por aí fora são bandas que não sabem dar maus concertos e que têm a vantagem de arrastar muita gente, o que num festival ao ar livre é importantissimo para a qualidade final

Iggy & The Stooges - Não sou grande fã do homem e vi algumas músicas quase como descargo de consciência... Depois de 4 ou 5 fui dar uma volta. Alguns amigos que apreciam o estilo gostaram bastante do que viram.

Audioslave - Não tenho paciência para os choradinhos deles, assim como já não tinha paciência para o nervosinho dos Rage Against the Machine. Sou um gajo demasiado desconfiado para dar ouvidos a milionários apologistas do comunismo e anarquia. De qualquer maneira acho que quando uma banda tem de se socorrer de êxitos de outras para salvar um concerto, está tudo dito, e não há nenhum grande guitarrista que os salve...

Marilyn Manson - Dos três concertos que vi dele (Atlãntico, Ermal e o de ontem) este foi sem dúvida o pior, muito por causa do guitarrista que ou não sabe tocar ou estava demasiado pedrado para isso, sendo que de qualquer das maneiras acho grave uma banda daquelas passar uma vergonha como a de ontem. Espero por um regresso em melhor forma.

Quanto ao palco dos portugueses, por não haver nenhuma banda que me despertasse interesse especial, não teve a minha atenção. Aproveitei esses concertos para meter umas frescas no lastro e ir despejar as antigas áquele fim do mundo onde eles esconderam as retretes, critica única a apontar a um festival muito bem montado (essa e o vento, mas este já não é culpa da organização...)

P.S.- Lindo de ver foram os mouretas engalanados com camisolas e cachecois do benfica, que a seguir ao jogo com o Setubal não puderam esconder por causa do frio. Também foi de bom recorte por parte da organização a atitude de importar do Norte do país (Viana do Castelo e arredores) pessoal para colocar nas barracas da Super Bock, porque esses sempre sabem o que são finos e não fazem de conta que só ouviram falar em imperiais...

quinta-feira, maio 19, 2005

Os meninos

Jogou-se ontem a final da taça UEFA. O Sporting perdeu-a em casa. A minha inclinação clubística (F.C.P., para quem só tenha cá chegado hoje) faz com que rejubile de prazer. Indignam-se neste momento todos os leitores não adeptos do futebol.
O futebol é um jogo cujo climax reside na vitória, que quando existe implica automáticamente uns derrotados a quem acabamos de nos superiorizar. Não tem piada nenhuma ganhar a uns gajos de Moscovo que só vimos durante 90 minutos no outro lado do estádio. Quem vai ter de ser alvo da superioridade, terão de ser os adversários locais, com quem nos encontramos diariamente nas nossas voltas rotineiras.
Durante os últimos dois anos passei de mísero detentor de uma Liga dos Campeões a adepto do clube com mais sucesso internacional português, nas taças que interessam e nas que não interessam (Super Taça Europeia e Intercontinental). Isto sabe-me muito bem. Caso o meu F.C.P. tivesse ganho tudo o que ganhou e mesmo assim continuasse a não ter ganho tanto como um qualquer rival nacional, não me satisfaria tanto. É isto que interessa, ganhar mais do que os outros. Uma vitória adversária é uma derrota pessoal. Dizem-me os politicamentes correctos que é um gesto irracional. Concordo plenamente. O futebol é uma paixão, e por definição, irracional.
Querem que eu goste de ver um Peseiro histérico, um sonolento Dias da Cunha, um Liedson fiteiro, um Pedro Barbosa arrastão ou um lateiro Ricardo a levantar uma taça UEFA sob o olhar bacoco de um Madaíl qualquer? Não consigo. São gente que não combina com vitória.
Não gostei de ver associados à alegria portista dos últimos anos gente adepta de clubes adversários. Desde o tóne lampião que arranjou um bilhete para a final lá no café ao Durão ou ao Sampaio. Quem ganhou fomos só nós, não foram todos. Há um ano associaram-se à festa, e agora inssinuam que esta foi devia a corrupção e putas? Não quero. Não quero que ninguém que não seja dos nossos se intrometa na alegria. Costumo dizer que não devo ser português. O benfica reclama para si seis milhões de adeptos e o sporting, quatro. Uma vez que Portugal tem dez milhões de habitantes, os portistam devem ser espanhóis ou, ironia, marroquinos. Eu só queria ser o único. O único portista do mundo. Era o maior. Ria-me de toda a gente.
Para além de tudo, serve isto de lição aos que achavam que bastava cair de pára-quedas numa final para estar o serviço feito. Afinal, é preciso ganhar a final. E hoje tenho pena que o detentor da Taça UEFA não seja o AZ Alkmaar...

quinta-feira, maio 12, 2005

Sumário: A Cerveja.

No outro dia, em conversa com um amigo (que não me lembro quem era, porque já tinha aviado umas quantas...) cheguei à conclusão que quase toda a gente bebe cerveja mas muito poucos sabem o que estão a beber. Decidi por isso establecer aqui um momento educativo, diria mesmo cultural, sobre essa bebida tão apreciada por mim e por grande parte dos javardolas que lêm estas linhas.
Embora ninguém saiba onde e quando foi inventada ao certo, há registos de bebedeiras provocadas pela cerveja que datam de há nove mil (sim, nove mil) anos no médio oriente (agora, a maioria deles não bebe porque Alá fica zangado e corta-lhes logo meia dúzia de virgens ao harém que está à espera no paraiso... Otários...).
Os ingredientes básicos da cerveja são a água (importantíssima na qualidade final), o malte, o lúpulo e a levedura.
O malte, ao contrário do que a generalidade das pessoas pensa, não é um cereal, mas sim o rebento que surge quando um grão de cereal é germinado por contacto com a água. A esta hora está um qualquer indignado a perguntar: E então e o whisky de malte? Não se chama assim por ser feito com um cereal chamado malte? Respondo eu: -Não, grande nabo! Chama-se assim porque é feito com um único tipo de malte. O termo "malte" é utilizado como abreviação de "single malt". A generalidade dos whisky's são "blended", ou seja, misturas de diversos tipos de whisky fabricados com diversos tipos de malte. No fabrico de cerveja utiliza-se quase sempre o malte de cevada. A cevada é molhada e os rebentos retirados após a germinação (chama-se a este processo desgerminação. Categoria...), após o que são torrados. Quanto mais torrado for o malte, mais escura será a cerveja.
O lúpulo é a flor de um tubérculo e provoca o sabor amargo da cerveja e que é responsável pela generalidade das meninas não beberem cerveja fervorosamente, trocando-a por vodka com suminho, groselhas e outras porcarias que tais... O lúpulo confere ainda à cerveja a capacidade de ser guardada, pois é um anti-séptico (não, não anda a bater nos gajos que não acreditam na Maya, nos Ovnis ou no Bento XVI... Esses são os cépticos.). O lúpulo está tão ansioso que o enfiem dentro de um barril que a planta chega a crescer 30 cm por dia.
A levedura é um fungo que é responsável pela tranformação dos açucares do mosto (mistura de água, malte e lúpulo obtida a quente) em alcool (daí as cardinas...) e em dióxido de carbono, cuja ausência é motivo de discussão com tasqueiros um pouco por todo o lado.
Posto isto, a cerveja é filtrada, embalada, bebida, mijada (alguma, a tal das discussões com os tasqueiros, parece que foi mijada antes de bebida...) e por vezes, vomitada.
Há diversos tipos de cerveja, sendo os seguintes os mais famosos:
-Lager (o mais comum)
-Stout (não tem nada a ver com a Super Bock. Os gajos devem de estar a brincar quando chamam Stout aquele suminho. A verdadeira Stout nasceu na Irlanda, com a Guinness, que parece broa de Avintes)
-Pilsen (originária de Pilsen, na República Checa)
-Ale (inglesa e muito, muito boa)
-Bock (alemã e que serviu de inspiração á nossa Super)
-Doppelbock (alemã)
-Munchener (de Munique, responsável pelo Ocktoberfest, onde ainda tenho de ir antes de morrer...)
Na minha opinião, os melhores produtores de cerveja são a Inglaterra, Irlanda, Bélgica (nomeadamente a região da Antuérpia onde ainda é produzida quase artesanalmente) e os países do Leste europeu.
Entre melhores cervejas que bebi estão a Guinness, e que é para mim a melhor cerveja de todas, a Harp (Ale produzida pela Guinness), Lasko Pivo (Pilsen eslovena), Warka Strong (Pilsen polaca com uma quantidade brutal de alcool), Budweiser (não confundir com a mijoca americana que roubou o nome a esta Pilsen checa...), Red Arrow (Ale, mas americana), Blanche de Bruxelles (como o nome indica, cerveja branca belga) e La Trappe (cerveja belga produzida por monges trapistas). Quanto às nacionais, não falo, pois pô-las no meio destes néctares seria o mesmo que misturar merda com chantily, com excepção feita à Especial, fabricada nos Açores. No entanto, à falta de melhor a preços decentes, vou ali abaixo partir as trombas a uma Super Bock.

segunda-feira, maio 09, 2005

A Queima e as Fitas.

Passou mais uma Queima das Fitas. Muito sinceramente, ainda não percebi muito bem o que me leva a ser cliente assíduo e fervoroso do evento. Desconfio que é a pura e simples javardeira etílica na companhia de bons amigos, misturada com a minha já conhecida curiosidade mórbida em assitir aos mais degradantes hábitos de socialização mais ou menos humana e que ainda é o que vai providenciando a melhor matéria prima aqui para as postas.
O filão começa logo com a compra dos bilhetes: a ida à FAP, os aprendizes de ladrão que anseiam por um qualquer cargo político futuro, que lhes permita uma vida desafogada sem ter de sequer amarrotar o fato, e que os vendem a preço de estudante como quem distribui senhas de racionamento (2 por pessoa para cada dia), mas sem se aperceberem do ridículo da questão, pois é com alguma facilidade que os candongueiros conseguem centenas de bilhetes, bastando para tal ir uma vez por dia a cada um dos postos de venda. Estes bilhetes, mesmo a metade do preço para estudante, são caríssimos e nem sequer deveriam existir, muito menos com o argumento que a verba conseguida serve para pagar as bandas do cartaz,(como se o que a FAP ganha a vender cerveja mijada e whisky marado não fosse suficiente para pagar a bandas de saldo...) que salvo honrosas excepções, são o que na minha terra se diz, "uma merda". Por mim nem sequer havia bandas. Só copos e entrada à borla.
Depois, temos as maravilhosas manifestações de grunhice boçal dos, como diz o leitor O Quisto, "Meninos armados em forinha". Estes nabos não saem de casa durante todo o ano, excepção feita às idas aos matadouros da moda, e durante uma semana (caso se dê a feliz coincidência de aguentarem a semana toda...) acham que são os reis e senhores da maluqueira, engolindo shot´s coloridos e fingindo bebedeiras, enquanto gritam obscenidades sem ponta de lógica, como "És tão boa, és tão boa..." ou o repugnante "Só me apetece pinar" (porque eles não fodem, só pinam... e rezam para que ninguém os foda). Alguns destes gajos, surpreendidos pela sua falha nos cálculos da quantidade de alcool a ingerir para dar credibilidade às tais bebedeiras fingidas, embebedam-se mesmo e depois lá vão parar ao INEM, onde alguns médicos e muitos atarantados armados em doutores lá lhes dão mais uma história para contar ao netos, do género "Naquela vez que fiquei a soro amarelo..."
Uma coisa a que achei muita graça, foi ao autocarro VIP. Era um tipico double-decker inglês, com volante à direita e tudo, mas sem capota, de onde se tinha vista previligiada para o palco e que fiquei a saber pelo porteiro (um gajo porreiro, por acaso) era reservado a VIP's ligados à UNICER, empresa esta que fornecia cerveja à borla aos tais gajos importantes. O meu argumento de que eu próprio estava ligado à UNICER, facto que os centímetros extra da minha cintura provam inequívocamente, e que foi usado mais pelo facto da cerveja ser de borla do que pela vista para o palco, infelizmente, não colheu...
Mais graça ainda, e levando já daqui o meu "Prémio revelação Queima 2005", teve O PORCO!! Houve um visionário que resolveu assar porcos inteiros no espeto e posteriormente vendê-los em magníficas sandes, havendo assim, finalmente, uma alternativa aos ignóbeis cachorros quentes e pães com chouriço usuais em tais manifestações. Lindo de se ver.
Mas o ponto alto da Queima fica reservado aos incriveis jogos de sedução! Milhares de desemparelhados em busca da glória efémera. Nestes anos de Queima já vi e ouvi de tudo: desde o básico movimento do "de que curso é a côr do teu pólo", passando pelas bengaladas na cartola e consequentes roços aquando dos votos de felicidade, e acabando nas manobras mais hardcore, como o guna que passou por mim a correr atrás de uma gaja qualquer enquanto segurava as calças desapertadas, aos gritos de "Anda cá, anda cá..." ou o casalinho que vinha do outro lado no autocarro, ela a arfar enquanto ele lhe mordia a orelha e movimentava a mão frenéticamente sob as calças dela...
Enfim, só visto, porque entretanto muitos dos episódios perdem-se pelo caminho. Aguardo pelo próximo ano por novos e melhores filmes para vos contar.