quinta-feira, março 31, 2005

Rui, atira-te ao rio!

As ruas em redor de minha casa parecem um cenário de guerra. Tudo isto por causa das obras do túnel de Ceuta, que tem umas das frentes mesmo aqui atrás. Longe de mim querer parecer com um daqueles velhinhos que reclamam porque não se fazem obras e depois reclamam porque se estão sempre a fazer obras, mas há seguramente mais de cinco anos que isto dura.
A obra começou ainda no tempo do executivo camarário do PS, e o Dr. Rui Rio mal chegou parou-a. Ao que parece a brilhante mente do senhor decidiu que uma das frentes do túnel (a tal que é aqui atrás...) deveria avançar umas centenas de metros, do Jardim do Carregal para a frente do Palácio de Cristal, o que poderia até ser um caso a estudar, não estivesse entretanto a tal frente já aberta. Entretanto, volvidos quatro anos, decidiu fazer à pressa o que estava projectado inicialmente, uma vez que está a chegar a hora das eleições. Isto não era muito grave, pois toda a gente tem o direito de meter o pé na argola de quando em vez, mas o Ruizinho parece que nasceu com a argola já metida nos dois pés. Senão repare-se:
Primeiro foi a birra com o grande FCP. Saiu-lhe pela culatra. Não ganhou nada com isso e ainda teve de engolir uma taça UEFA e uma Champions League, intercaladas com uns campeonatozitos cá da terra, e a prata deve ser um metal assim a puxar para o indegesto. Pelo meio teve ainda tempo para arranjar maneira de, indirectamente, parar as obras do Estádio do Dragão, ao tentar proibir a construção do Centro Comercial ao lado e cujas receitas serviriam para pagar a construção da Basílica. O estádio está feito e o Centro Comercial, quase. Depois foi o caso da praça Carlos Alberto, que esteve esburacada durante anos, mais uma vez porque o menino amuou e disse que não ia concluir uma obra da responsabilidade da Porto 2001. Concluiu e depois ainda foi tirar estilo como se fosse ele que tivesse resolvido o problema (de facto, foi... Mas havia sido ele a criá-lo). Entretanto ia acabar com os arrumadores, levando-os para clinicas de desintoxicação durante uma semana e posteriormente inserindo-os no mercado de trabalho (afinal a dependência da droga não é assim tão grave como se diz; o Rui Rio cura-a numa semana!). Presumo que os ressacas que andam aí aos gritos de "venha, venha" não sejam arrumadores, mas talvez "técnicos de controlo de estacionamento automovel". Estamos no último dia de Março de 2005 e parece que finalmente a obra embelemática da Porto 2001, a Casa da Música, vai ser concluida, depois de uma eufemistica derrapagem orçamental, embora vá ter a trazeira tapada pela sede do BPN, pois o Sr. Presidente não soube negociar a questão com o referido banco. Acrescente-se a isto o assassinar da noite da Ribeira do Porto, os atrasos nas obras do Metro, e outras cagadas que tal e descobre-se que o político com os colhões no sitio, afinal não passa de um pataqueiro do nivel de um qualquer Valentim Loureiro, João Jardim ou Avelino Ferreira Torres, mas sem obra própria feita...
Confio no histórico sentido de justiça da população portuense para nas próximas eleições autárquicas mandar o Dr. Rui Rio para umas férias prolongadas no seu retiro de praia, em Viana do Castelo.

terça-feira, março 22, 2005

Tivesse eu a vossa idade...

Após um interregno provocado pela proverbial incompetência do binómio Novis/PT, e consequente ausência de ligação à Internet, estou de volta para vos falar da surpreendentemente energética nova geração de Vianenses:
Como muitos de voçês sabem, parte dos meus anos criticos de formação pessoal (dos 10 aos 18) foram passados em Viana do Castelo. Grande parte dessa geração a que eu pertenço está neste momento irremidiavelmente perdida, afectada pela coscuvilhice mórbida e espirito exibicionista foleiro que afecta, e serei benevolente, pelo menos metade da população vianenese.
No entanto há umas semanas fui a um concerto em Viana (Freedoom, Soda Kaustica e União de Merda) e fiquei orgulhoso da nossa "canalhada". A geração que agora anda entre os 15 e os 20 anos fez questão de mostrar como se faz à meia dúzia de "velhinhos" que se dignou a trocar a masturbação etílica costumeira dos "Taurinos" e "Ijotas" pelo Punk... Nunca tinha visto naquela terra tanta força e euforia num concerto, que ainda por cima, ao que percebi, foi organizado por eles. Gostei.
Claro que haviam alguns putos baralhados (é próprio da idade...), e não me admirava nada se dentro de algum tempo visse alguns deles a entrar nos curros, mas eram tantos e tão bons que muitos vão ter de se safar, ou pelo menos, assim espero.

quinta-feira, março 03, 2005

Manifesto pró Ribeira.

Todos os que lêm estas linhas e me conhecem, de facto, sabem que se toda a gente fosse como eu a Ribeira do Porto era o local mais frequentado do país... Tenho uma ligação de sempre com a Ribeira... Ia para lá ainda criança, pela mão do meu avô, para o gabinete camarário que ele dirigia e que era responsável pela reabilitação da zona para "aprender a desenhar" com os arquitectos e engenheiros, e desconfio que é também graças a isso que hoje estudo Engenharia Civil. Quando entrei para a faculdade, para estudar a tal engenharia, lembro-me de ir à Ribeira e de ter milhares (eram milhares mesmo...) de pessoas, num dos mais fantásticos ambientes nocturnos que já vi (talvez só equiparado à Temple Bar Street de Dublin e à Metelkova de Ljubljana). Não havia estudante no Porto que nunca tivesse ido à Ribeira. Depois vieram as noites da mulher nas discotecas que apareciam como cogumelos, que aliadas às roubalheiras por parte da canalhada da Ribeira e à politica fascista e autista do Sr. Rio, deixaram a Ribeira moribunda.
No entanto, durante o Euro2004 a Ribeira voltou às gloriosas noites, e não eram só os "cámones" que a enchiam, mas também aqueles que por um motivo ou outro a abandonaram e que eu pensei que a tinham redescoberto, pois todos os que lá estavam pareciam estar a divertir-se bastante. Confesso que tive esperança que fosse definitivo, mas não foi.
Entretanto, existe um fenómeno impensável há uns anos: estudantes universitários que nunca foram à Ribeira! Dizem que lhes disseram que era perigoso e que estava vazia... É para estes em particular que escrevo: a Ribeira não é nem mais nem menos perigosa do que qualquer outro local do Porto. Os artistas que lá estavam a roubar o pessoal ou estão presos ou estão em casa, com a pulseirinha electrónica da moda, a ver TV, que ainda é o pior castigo que se pode dar a alguém em Portugal; quanto a estar vazia... de facto está! Mas enquanto voçês continuarem a trocar os barmans da Ribeira pelas sopeiras das discotecas, vai continuar assim.
Acreditem em mim, a Ribeira é definitivamente o melhor sitio para beber uns copos com os amigos, e depois de umas quantas canecas sempre podem ir ver as sopeiras na mesma à discoteca.
Apareçam por lá para bebermos uns copos!