A Guerra das Estricas: O Ataque dos Clones.
Tive há dias o primeiro contacto com uma festa Techno. Os meus colegas tinham-me feito uma descrição tão dramática das festas anteriores que cheguei lá com um colete à prova de balas e uns abafadores de ruído postos… A sério! Afinal, não se justificou. O som, que era apregoado como um misto de estaleiro naval com carpintaria, sinceramente, não me incomodou nem mais nem menos do que qualquer outro tipo de música electrónica. Continuo a achar muito estranho que se juntem mais pessoas para ver uns gajos a tocar gira-discos (sim, sou do tempo dos gira-discos. Pratos, só na bateria ou para por bifes em cima…) do que para ver uns gajos a tocar instrumentos musicais “a sério” ao vivo. Mas esta é a tal velha questão da indiscutibilidade dos gostos…
Ao que parece, tive sorte, pois a afluência foi muito inferior ao costume, o que me permitiu ter um trabalho algo folgado e assim dedicar algum tempo a observar “O Guna, esse anormal…” Os gunas são o grupo de, como lhes chamar… “seres”, mais fascinante que já encontrei. São todos iguais! Ao primeiro contacto é impossível não reparar nos bonés! Ridículos! Estão invariavelmente apertados demais e simplesmente pousados no alto da cabeça, com a pala a inclinada cerca de 30 graus para cima. Este acessório serve para marcar uma atitude e transmitir uma mensagem. Qualquer coisa como “Sou um mentecapto e falho numa tarefa tão simples como pôr um boné na cabeça.” De seguida, ligeiramente abaixo, temos as argolas douradas. A roupa é quase na totalidade retirada do catálogo Nike 2004/05, excepção feita a algumas calças de ganga com aquele ar de quem se sentou num banco de jardim encharcado em lixívia e a alguns casacos e sweat shirts dos Super-Dragões (ao menos isso…) Depois, temos as sapatilhas! Nike Shocks, com amortecedores reactivos às luzes UV, o que dá um belo efeito, principalmente quando conjugados com calças de fato-de-treino, também elas com uma risca vertical fluorescente. Lindo! Infelizmente, estes dois acessórios fazem com que os atropelamentos destes anormais sejam em número substancialmente inferior ao desejável. Faço aqui uma sugestão aos gunas a quem estejam a ser lidas estas linhas: passem a usar soutiens! Vão ver como vos vais ajudar a manter esse peito muito mais inchado e para fora… É que os gajos estão sempre com pose de quem vai bater a toda a gente que se atreva sequer a olhar para o seu boné! Para isso contam com o espírito de alcateia que os une: juntos, são de facto perigosos; em grupos de menos de quatro tomam aquela atitude do “-Estás cheio de sorte! Ia rebentar-te de porrada, mas parece que está a minha mãe a chamar para o jantar…”
Passemos então ao vocabulário da espécie e ao contacto directo de mesma com o ser humano:
“-Ò mano, olhaíunhiskicóoooolan… Ólhaaaaa, botasóumapéeeeedran” Aqui, confesso que estou a exagerar… Nem todos bebem isto. Uns até querem duas pedras, e outros são tão diferentes que nem sequer querem gelo. E há outros que se recusam a utilizar o desrespeitoso “mano” e o trocam por um muito mais adequado “primaço” ou o correctíssimo “sócio”. Mas isto é na fase em que falam. Umas horas depois já só conseguem grunhir e mastigar as bochechas, graças às pastilhas de Ecstasy que comem como se fossem rebuçados. Estas pastilhas têm um outro efeito divertido: no início da noite, se lhes servirem uma bebida com palhinha, levam esse gesto quase como uma ofensa, tirando rapidamente a palhinha do copo, não vá o pessoal pensar que são alguns paneleiros… Passadas umas horas, já exigem a palhinha, e mesmo depois do copo vazio continuam a roê-la furiosamente. Tiques… Outro dado curioso, é que nunca ninguém lhes explicou como se processa uma transacção comercial: em vez de o vendedor lhes fornecer o produto em troca de dinheiro, na ideia deles deve fazê-lo em troca de um “Olha, obrigadão!” Esta frase proferida por um deles, na cotação do grupo, vale pelo menos 6€, ou seja, “unhiskicóoooolan”. E é fácil perceber o que está por detrás disso. Afinal o gajo tem de se rebaixar ao ponto de ter de agradecer, e a dignidade tem um preço, já para não mencionar que habitualmente para adquirirem qualquer coisa bastam mãos hábeis e pés ligeiros. Como aquele que “comprou” umas sapatilhas lá dentro a um “sócio” sem que este tivesse sequer dado por ela…
Ao que parece, tive sorte, pois a afluência foi muito inferior ao costume, o que me permitiu ter um trabalho algo folgado e assim dedicar algum tempo a observar “O Guna, esse anormal…” Os gunas são o grupo de, como lhes chamar… “seres”, mais fascinante que já encontrei. São todos iguais! Ao primeiro contacto é impossível não reparar nos bonés! Ridículos! Estão invariavelmente apertados demais e simplesmente pousados no alto da cabeça, com a pala a inclinada cerca de 30 graus para cima. Este acessório serve para marcar uma atitude e transmitir uma mensagem. Qualquer coisa como “Sou um mentecapto e falho numa tarefa tão simples como pôr um boné na cabeça.” De seguida, ligeiramente abaixo, temos as argolas douradas. A roupa é quase na totalidade retirada do catálogo Nike 2004/05, excepção feita a algumas calças de ganga com aquele ar de quem se sentou num banco de jardim encharcado em lixívia e a alguns casacos e sweat shirts dos Super-Dragões (ao menos isso…) Depois, temos as sapatilhas! Nike Shocks, com amortecedores reactivos às luzes UV, o que dá um belo efeito, principalmente quando conjugados com calças de fato-de-treino, também elas com uma risca vertical fluorescente. Lindo! Infelizmente, estes dois acessórios fazem com que os atropelamentos destes anormais sejam em número substancialmente inferior ao desejável. Faço aqui uma sugestão aos gunas a quem estejam a ser lidas estas linhas: passem a usar soutiens! Vão ver como vos vais ajudar a manter esse peito muito mais inchado e para fora… É que os gajos estão sempre com pose de quem vai bater a toda a gente que se atreva sequer a olhar para o seu boné! Para isso contam com o espírito de alcateia que os une: juntos, são de facto perigosos; em grupos de menos de quatro tomam aquela atitude do “-Estás cheio de sorte! Ia rebentar-te de porrada, mas parece que está a minha mãe a chamar para o jantar…”
Passemos então ao vocabulário da espécie e ao contacto directo de mesma com o ser humano:
“-Ò mano, olhaíunhiskicóoooolan… Ólhaaaaa, botasóumapéeeeedran” Aqui, confesso que estou a exagerar… Nem todos bebem isto. Uns até querem duas pedras, e outros são tão diferentes que nem sequer querem gelo. E há outros que se recusam a utilizar o desrespeitoso “mano” e o trocam por um muito mais adequado “primaço” ou o correctíssimo “sócio”. Mas isto é na fase em que falam. Umas horas depois já só conseguem grunhir e mastigar as bochechas, graças às pastilhas de Ecstasy que comem como se fossem rebuçados. Estas pastilhas têm um outro efeito divertido: no início da noite, se lhes servirem uma bebida com palhinha, levam esse gesto quase como uma ofensa, tirando rapidamente a palhinha do copo, não vá o pessoal pensar que são alguns paneleiros… Passadas umas horas, já exigem a palhinha, e mesmo depois do copo vazio continuam a roê-la furiosamente. Tiques… Outro dado curioso, é que nunca ninguém lhes explicou como se processa uma transacção comercial: em vez de o vendedor lhes fornecer o produto em troca de dinheiro, na ideia deles deve fazê-lo em troca de um “Olha, obrigadão!” Esta frase proferida por um deles, na cotação do grupo, vale pelo menos 6€, ou seja, “unhiskicóoooolan”. E é fácil perceber o que está por detrás disso. Afinal o gajo tem de se rebaixar ao ponto de ter de agradecer, e a dignidade tem um preço, já para não mencionar que habitualmente para adquirirem qualquer coisa bastam mãos hábeis e pés ligeiros. Como aquele que “comprou” umas sapatilhas lá dentro a um “sócio” sem que este tivesse sequer dado por ela…
Finalmente, as fêmeas. As sopeiras. Estas sempre conseguem ser mais heterogéneas. Se há as simples variações cromáticas do guna, onde o azul é substituído pelo cor-de-rosa, com as argolas cinco centímetros maiores em diâmetro, e já com o tal soutien colocado, temos outras que passariam por mulheres perfeitamente normais (e até acima da média) não fosse aquele timbre, pronúncia e colocação de voz de vendedeira do Bolhão…

2 Comments:
o guna, esse anormal, que cá nesta cidade é mais que a normalidade, o presente e o futuro tal é a quntidade de maltrapilhos que mal falam e estão a mudar os dentes nas já tem duas ou três argolinhas e o indispensável boné... daqui a uns (pouco) tempos lá lhes vais dar também unwiskicola e ouvir uma caralhada qualquer por lhe cobrares o preço marcado. de resto não me parece que haja muito mais a dizer dessa espécie, não são assim tão originais nem motivo para grandes estudos sociológicos, sãp os filhos achincalhados de uma cidade grande que vivem à custa dos manos e dos sócios, roubando a uns e a outros, a mim o que me aflige é o seu carácter espantalho: não mencionas o local da festa, mas como dizes que estava pouca gente eu pergunto-te, para além deles quem estava mais? adivinho certamente a resposta e é esse aspecto que a mim, viciado em tecno e rodas, me preocupa; felizmente que na música de dança a evolução é constante e aparecem todos os dias novos nomes com boas músicas e bastante inovação, pelo que esses gunas, que vivem nim mundo aparte, estão longe de de a conseguir acompanhar. já não é novo o truque de nãoreferir nos cartazes ou flyers nenhuma inscrição que diz tecno, apenas o nome dos dj´s, o que geralmente é o suficiente para os manter afastados, eles que continuam agarrados a Del campo´s e morrice´s, não são capazes de reconhecer ou sequer ler e entender outros nomes. de qualquer forma vão aparecendo e se a festa não for grande (que meta muita gente) afastam outros possíveis interessados. quando se trata de uma grande rave passam um bocado (um bocado só)despercebidos, de certa forma fazem parte do cenário, mas cortam um bocado a moca porque como as as crianças é precisoter sempre um olho neles..
Caro amigo, tratar-se-á de uma nova raça?!
Afinal hoje em dia há muita gente a criar novas raças, umas misturas aqui e ali e pronto para ser raça.
Não condeno ninguém, nem poderia, por ser assim ou assado, por vestir isto ou aquilo. Mas posso afirmar que não gosto de quem, através da postura ou da forma como aparece, se tente impor aos outros... Isso é outra forma de poder e de pelouros...
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