Uns e outros.
O fenómeno caracteriza-se por um misto de sensação de picadas de milhares de minúsculas agulhas, pressão ligeira e a sensação de um líquido ultra fluido que viajam por todo o corpo, desde a base do crânio até aos tornozelos, e manifesta-se tendencialmente antes ou depois de algo grande acontecer… E hoje manifestou-se! Dezenas de adeptos portistas despediram-se dos campeões da Europa no aeroporto, aquando da partida dos heróis para o Japão. Isto, meus amigos, distingue o trigo do joio futebolístico nacional: ao passo que uns metem nojo anos a fio e carregam contra os moinhos de vento da corrupção na arbitragem e no dirigismo futebolístico, outros, perdem amor a umas horas de sono e vão para o aeroporto celebrar o início de mais um episódio brilhante da história do seu clube. Uns gravam DVD´s para oferecer aos ministros, outros gravam DVD´s para vender aos adeptos, como se fosse necessário ter um DVD para não mais esquecer o assalto às balizas monegascas. Uns ainda hoje lutam para conseguir balbuciar Gençlerbirligi, ao passo que os outros gritam Gelsenkirchen sem o mínimo problema de dicção. Uns esquecem o objectivo da época anterior (a “Champions”) assim que chega a pré eliminatória, sendo (felizmente para eles) remetidos para a Taça UEFA, agora com os seus ridículos grupos de equipas inconcebíveis, evitando a vergonha de uma participação na Champions League ao nível da dos seus carrascos de pré eliminatória (0 pontos?! Bem dizia eu na pré temporada a um sarraceno em êxtase pela “sorte” do sorteio ter afastado o Real Madrid do caminho, que mais valia que tivessem calhado os espanhóis, para a vergonha não ser tão grande), outros mesmo apesar dos vaticínios de fim de ciclo Mourinho, Deco e em “crise”, chegam aos oitavos de final da prova.
Uns têm o presidente sob suspeita de corrupção, nomeadamente por ter “comprado” árbitros para beneficiar o clube (quanto terá Pinto da Costa pago aos árbitros europeus para conseguir a Taça UEFA e Champions League seguidas?), outros têm um ex-presidente que foi colocado no poder em apoteose, que ia fazer ver aos tripeiros como era, preso por ter roubado o próprio clube. Uns ainda hoje discutem se a bola entrou, após a tosca defesa do soberbo Baía que se opôs ao tosco remate do tosco Petit, enquanto outros não evitam um sorriso sarcástico ao lembrar a cara de impotência de Moreira a olhar para o remate sem espinhas de McCarthy.Uns têm um presidente que vive embrulhado num cachecol, com cara de sono, destinado a passar o resto da vida indignado contra o sistema, outros têm um presidente que quando fala, por sistema, faz sorrir os seus e desesperar os dos outros. Uns no domingo de manhã vão estar a dormir, assaltados pelo pesadelo costumeiro, outros, vão estar acordados, a sonhar com mais uma taça rapada na cabeça…

1 Comments:
Realmente é muito mais díficil dizer Gençlerbirligi do que Gelsenkirchen! Agora, sem o mínimo problema de dicção é que já tenho dúvidas...
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