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Ontem em Leiria morreu um adepto do benfica. Paz à sua alma, etc. e tal, condolências à família e mais não sei o quê…
Ao que parece o senhor exaltou-se com a (errada) não marcação de um penalty a favor do benfica e aquando dos protestos debruçou-se sobre as grades e estatelou-se no chão da bancada sobre a qual se encontrava. A ambulância chegou rapidamente e o homem recebeu os primeiros socorros no local, vindo a morrer já no hospital. É pena, é uma maneira estúpida de morrer, mas acontece. Algumas pessoas morrem de formas muito mais inglórias.
Os amigos do senhor, à porta do hospital, faziam questão de libertar as suas frustrações (convenhamos, ir ao futebol, perder um amigo e o jogo, é fodido…) e de protestar com convicção contra as condições de segurança do estádio. Achei estranho! Presumo que milhares de pessoas tenham assistido a jogos de futebol nas imediações daquele preciso local, e nenhuma delas até hoje malhou cá abaixo por causa do gradeamento que os tais amigos reclamam ser demasiado baixo… Aliás, ao que parece o falecido foi avisado por um assistente de recinto desportivo (Categoria! Que título! Também num país que até tem um Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto do Primeiro Ministro, é o mínimo que se pode chamar a um segurança!) e mesmo por agentes da PSP para não se debruçar sobre as grades e para ser mais comedido nas reacções às incidências do jogo, tendo inclusive sido aconselhado a mudar de lugar. Culpa dele? Azar? Descuido? Não! Incompetência! Vergonha! Escândalo! Tem de se arranjar um culpado. Sempre.
E tudo isto porquê? Porque nunca se arranja, mesmo quando alguém tem responsabilidades gritantes numa qualquer desgraça que aconteça, o nacional porreirismo prevalece e fica tudo em águas de bacalhau. Ora isto, meus amigos, dá incentivo a que cresçam os protestos por tudo e por nada, como ontem, que vergonhosamente alguém se esqueceu de por uma grade à prova de histéricos, e que é inadmissível um homem ir com os amigos ao futebol e morrer. Ainda por cima no dia em que fazia 45 anos! É que se fosse um dia antes ou depois, ainda era como o outro…
