segunda-feira, novembro 29, 2004

5.999.999

Ontem em Leiria morreu um adepto do benfica. Paz à sua alma, etc. e tal, condolências à família e mais não sei o quê…
Ao que parece o senhor exaltou-se com a (errada) não marcação de um penalty a favor do benfica e aquando dos protestos debruçou-se sobre as grades e estatelou-se no chão da bancada sobre a qual se encontrava. A ambulância chegou rapidamente e o homem recebeu os primeiros socorros no local, vindo a morrer já no hospital. É pena, é uma maneira estúpida de morrer, mas acontece. Algumas pessoas morrem de formas muito mais inglórias.
Os amigos do senhor, à porta do hospital, faziam questão de libertar as suas frustrações (convenhamos, ir ao futebol, perder um amigo e o jogo, é fodido…) e de protestar com convicção contra as condições de segurança do estádio. Achei estranho! Presumo que milhares de pessoas tenham assistido a jogos de futebol nas imediações daquele preciso local, e nenhuma delas até hoje malhou cá abaixo por causa do gradeamento que os tais amigos reclamam ser demasiado baixo… Aliás, ao que parece o falecido foi avisado por um assistente de recinto desportivo (Categoria! Que título! Também num país que até tem um Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto do Primeiro Ministro, é o mínimo que se pode chamar a um segurança!) e mesmo por agentes da PSP para não se debruçar sobre as grades e para ser mais comedido nas reacções às incidências do jogo, tendo inclusive sido aconselhado a mudar de lugar. Culpa dele? Azar? Descuido? Não! Incompetência! Vergonha! Escândalo! Tem de se arranjar um culpado. Sempre.
E tudo isto porquê? Porque nunca se arranja, mesmo quando alguém tem responsabilidades gritantes numa qualquer desgraça que aconteça, o nacional porreirismo prevalece e fica tudo em águas de bacalhau. Ora isto, meus amigos, dá incentivo a que cresçam os protestos por tudo e por nada, como ontem, que vergonhosamente alguém se esqueceu de por uma grade à prova de histéricos, e que é inadmissível um homem ir com os amigos ao futebol e morrer. Ainda por cima no dia em que fazia 45 anos! É que se fosse um dia antes ou depois, ainda era como o outro…

sexta-feira, novembro 26, 2004

O que é que o Broots anda a ouvir?

Decidi pegar em todos os meus CD´s e fazer a lista dos melhores. Quem sabe não desperto a curiosidade de alguns de vós e começamos a partilhar mais gostos! Como o que se pretende é uma selecção dos melhores, optei por não colocar mais de dois CD´s de cada banda.

AC/DC – Live
AC/DC – TNT
Acromaniacos - Pitamupau
Apocalyptica – Cult
Apocalyptica – Plays Metallica By Four Cellos
Bal Sagoth – Battle Magic
Blur – Parklife
Brujeria – Brujerizmo
Brujeria – Raza Odiada
Coal Chamber – Dark Days
Cradle Of Filth – Dusk… And Her Embrace
Cradle Of Filth – Midian
Daemonarch – Hermeticum
Dimmu Borgir – Enthrone Darkness Triumphant
Dimmu Borgir – Death Cult Armaggedon
Ena Pá 2000 – És Muita Linda
Gabriel O Pensador – Gabriel O Pensador
Garotos Podres – Garotozil de Podrezepan
Gonçalo Pereira – Upgrade
Gorefest – Eindhoven Insanity
Guns N´Roses – Apetitte For Destruction
Joel Xavier – Sr. Fado
Marilyn Manson – Antichrist Superstar
Marilyn Manson – Lest We Forget
Mata – Ratos – Estás Aqui, Estás Ali…
Mata – Ratos – Rock Radioactivo
Megadeth – Youthanasia
Metallica – And Justice For All…
Metallica – Kill´em All
Mini Drunfes – Tudo Bons Alunos
Moonspell – Irreligious
Moonspell – Wolfheart
Murderdolls – Beyhond The Valley Of The Murderdolls
Nick Cave and The Bad Seeds – Murder Ballads
Nirvana – Nevermind
Os Irmãos Catita – Very Sentimental
Pantera – Reinventing Hell
Pink Floyd – The Dark Side Of The Moon
Pink Floyd – Wish You Were Here
Samael – Rebellion
Sepultura – Chaos A.D.
Sepultura – Roots
Slipknot – Iowa
Slipknot – Slipknot
Soulfly – Soulfly
The Young Gods – Only Heaven
Therion – Vovin
Thorns – Thorns
Type O Negative – October Rust
Type O Negative –The Least Worst Of Type O Negative

quinta-feira, novembro 25, 2004

A cega justiça popular, ou “Teoria da relatividade – parte 2”

Começa (?!) hoje o julgamento do caso Casa Pia.
À porta do tribunal o lamentável espectáculo de sempre: policias e jornalistas, quais ceguinhos no meio de um tiroteio, atropelam-se em redor dos arguidos e respectivos advogados, colocando os jornalistas as perguntas do costume, que não são respondidas, como de costume, ao passo que os policias revelam a incapacidade, também do costume, de impor a ordem.
Os populares, numa clara demonstração do baixo nível intelectual das bases do país (o costume…), alternam entre a estúpida revolta contra quase rodos os arguidos, com ameaças de morte e de amputação dos órgãos genitais destes, com a mais estúpida ainda revolta contra os juízes, que se atrevem a duvidar da integridade moral do Sr. Carlos Cruz, “que é tão bom homem e apresentava o 123 como ninguém, que aquela Teresa Guilherme até dá pena vê-la ali a meter os pés pelas mãos com os euros, que estava bem era a apresentar a Quinta das Celebridades, porque a D. Júlia Pinheiro faz muita falta no SIC 10 horas, embora a Sra. D. Fátima Lopes também esteja lá muito bem…etc. etc. etc.”.
Pasme-se: existe uma senhora que passou todos os dias que Carlos Cruz esteve preso, à porta da cadeia, a prestar a sua solidariedade, e que pelos vistos se terá oferecido para trocar de lugar com ele na noite de Natal, para ele poder passar a noite com “a mulher, que é tão boa pessoa, e que agora está a cuidar daquela menina, que é uma jóia, uma riquezinha, sozinha e com a mais velhita, que é tão bonita e que até tem jeito para a televisão (sai ao pai…), que é um gosto vê-la a falar no SIC 10 horas, ao lado daquele rapaz que também é muito jeitoso, o Cláudio Ramos, ou como lá é… etc. etc. etc.”.
Agora, aquele Bibi e o Jorge Ritto?! “Uns filhos da puta daqueles, que se olha para eles e se vê logo que andaram a enrabar meninos? Esses era matá-los! Matá-los…?! Era pouco! Cortá-los ás postas, capá-los e dar os colhões a comer aos porcos. Enrabá-los com um tição… E daí não que ainda era um gosto que se lhes dava… Tivesse eu menos uns anos menina, que era eu mesma que os esganava! Eu mato-os! Segurem-me!... etc. etc. etc.”.
Mais uma vez, Einstein não faria melhor…

P.S.- Srs. Jornalistas: é inútil atropelarem-se ao redor do carro celular que traz o Carlos Silvino, e interromperem a emissão para dar as imagens em directo, já que não se vê para dentro do carro (e nem que visse, estava-me cagando para isso…) e por esta altura já toda a gente sabe como é um carro celular. A não ser que esteja a dar o Goucha! Aí, todos os pretextos são bons para interromper a emissão. Nem que seja o Eusébio a dar uma entrevista.

sexta-feira, novembro 19, 2004

The eternal spectator

Spectaror: is a person who watches something, specially a sporting event( in Collins Cobuild Essential English Dictionary)

Pois é. Parece que eu sou um eterno espectador do desfile de vacas para abate semanal, pelo menos na mais famosa das discotecas da mui nobre, sempre leal e invicta cidade da virgem. Mas que hei-de eu fazer?! Ao contrário do que possam transparecer estas crónicas, recheadas de javardeiras e brootalidades várias, sou uma pessoa que dá valor ao lado espiritual de uma relação (repararam na frase à SIC 10 horas?) e portanto mete-me asco a actuação das vacas nas discotecas. Elas são lindas e esculturais, mas falta-lhes algo… como um cérebro que não seja unicamente responsável pela função locomotora, mas que tenha qualquer coisa a alinhavar acerca das notícias mundanas e outras merdas relevantes. Eu bem as vejo, a dançar, com olhar provocador, ombros ao léu (Marco, como tinhas razão…) à espera do primeiro cowboy que esteja disposto a arriscar a vida pelo prize money do Rodeo… Mas não consigo… Começo a sentir-me mal comigo mesmo só por estar a olhar para elas e viro a cara para o outro lado, mesmo quando a idiotice começava a pegar… Foda-se, ou melhor, não se foda… Mas é melhor assim! Pelo menos, amanhã quando acordar não tenho de inventar uma qualquer estória estúpida para desmarcar a vaca que está a dormir em cima do meu braço. Ou então um dia destes a cardina é tal que não me vai permitir discernir se a gaja vale a pena ou não, e então vou mesmo ter que ser malcriado e inventar a tal estória…
Adiante… (para não dizer avante, como os comunas).
Razão tem o mestre José Vilhena: “Gajas sérias já não se usam, ou se usam, não valem nenhum…”

P.S.- Quero agradecer aos Moonspell, nomeadamente ao Fernando Ribeiro, por me ter inspirado para o título deste post.