domingo, outubro 17, 2004

O cumprimentador compulsivo, esse animal.

Venho hoje falar-vos de uma espécie que eu amigavelmente etiquetei de cumprimentador compulsivo, de forma a não insultar o pobre animal. Apesar de poder ser encontrado em diversos meios, o habitat preferido da besta parece ser onde quer que haja manifestações festivas do estilo queima das fitas, discotecas, bares da moda e afins. Após um estudo superficial, pois os meus conhecimentos de zoologia não me permitem ir mais além, suponho que essa espécie é uma mutação do ser humano, uma vez que só deparei até à data com exemplares do sexo masculino, estando portanto a sua reprodução comprometida à partida. (Ou então, talvez se cruzem com fêmeas humanas, quando haja burras para isso, que as há, sem prejuízo para as restantes…). Estes animais têm uma forma muito peculiar de interagir com o ser humano, nomeadamente do sexo masculino, o que torna o estudo dos seus hábitos de grupo fascinante. Após uma abordagem ora agressiva ora reveladora de uma atroz falta de inteligência e de sentido de conveniência, quando confrontados com a reacção de recusa liminar de pactuar com tal manifestação por parte do seu interlocutor, seja por um clássico par de trombas (não imaginam como é eficaz na maioria dos casos) ou pela mais elaborada contra-ofensiva na forma de firme “Vai-te foder!”, o pobre animal desmancha-se em simpatias, nomeadamente com o imediato esticar de mão (daí a denominação), de forma a tentar cumprimentar o humano, normalmente acompanhado de um básico”Ei, tasse bem! Na boa…” Não me parece normal. Porque é que um idiota depois de fazer algo que me irrita solenemente, seja por estupidez ou incompetência, depois de ver que não estou para o aturar, não aproveita a sorte e se vai simplesmente embora? É que na minha observação detalhada consegui perceber que é isso que fazem quando uma humana reage como eu. Vão-se embora. Com cara de parvos, mas vão… Porque é que eles acham que eu os vou cumprimentar? Porque “tasse bem?” Não “tasse” nada! Tal atitude faz tanto sentido como jogar na lotaria e aquando da extracção, após a coincidência dos números iniciais, queimar o bilhete. Já que jogam esperem pelo fim do sorteio, nunca se sabe quando vos sai a sorte grande…