A ilusão de conforto da mentira.
É impressionante a capacidade de certas pessoas para criar um universo paralelo ao seu próprio mundo e de viverem uma mentira constante. O sorriso falso, a simpatia esfuziante que emanam, mesmo quando não suportam o seu interlocutor, a banalidade do discurso, que mantém relações indesejadas a agoniar ano após ano, e o mais baixo assentimento constante do “Eu também...” e tudo isto porquê? Para serem simpáticos.
O facto da sua personalidade ser inexistente, provoca uma carência de relações sociais a todo o custo, num claro desprezo da velha máxima “poucos mas bons” em detrimento dos “muitos, sejam quem forem”. A pobreza de espirito é por vezes tal que são capazes de andar acompanhados anos a fio por pessoas, oficialmente amigas, sem se suportarem mutuamente, o que abre a possibilidade de criação de laços de cumplicidade com “amigos” comuns, também estes desinteressantes, através de diálogos difamatórios. Quantas vezes assistiram a grupos de três pessoas numa mesa de um qualquer bar, a transparecer uma amizade à prova de bala, e depois assim que uma delas se levanta, as restantes duas falam dela como se tivessem estado a partilhar a mesa com o Carlinhos Castro?
Não tenham medo de ser antipáticos com quem não vos merece simpatia. É preferível a terem de suportar alguém de quem não gostam pelo facto de ser aparentemente mais confortável. E façam isto mesmo com os vossos melhores amigos: exponham-se. Digam tudo. Não deixem espaço para ambiguidade e surpresas futuras, pois a amizade verdadeira, ou irmandade, como gosto de lhe chamar, sobrevive e fortifica-se com tudo isso. É impossível terem um verdadeiro amigo que pense tal e qual como vocês, pelo simples facto de não existir ninguém que pense tal como vocês. Quanto a mim, actuo desta maneira. Curto e grosso. Aceitam? Óptimo. Estamos cá. Não aceitam? Óptimo. Fiquem por aí. E brindo a isso, tenham saúdinha e que não vos falte nada, para que nunca tenham de voltar...

3 Comments:
De acordíssimo! E a sinceridade não se deve usar só para avisar aqueles cuja companhia não nos fascina! Pois o verdadeiro amigo, e irmão na nossa Irmandade, é aquele que é sincero connosco, mesmo quando nos repreende negativamente, alertando-nos para algo de errado que dizemos ou fazemos. Não é só nos momentos bons, mas principalmente nos maus, quando esses "amigos de conveniência" são os primeiros a fugir, que se reconhecem os verdadeiros companheiros de armas...
André
Fui quase como obrigado a deixar aqui o meu comentario para alertar outros que por ventura leiam este topico (e blog no geral) pois passei por essa experiencia à alguns meses. Ganhei coragem e foda-se, may the today become the day como dizem os ainda vivos Sentenced, olhei para mim mesmo e disse: eu não tenho nada a ver com estes tipos, estes gajos usam e abusam da minha sinceridade para se servirem de mim. Aquilo a que eu chamava de amigos, não passavam de filhos da puta, iguais aos otarios do drogados, que procuram sempre por uma droga nova para oferecer aos outros e miná-los com a semente de uma personalidade que, julgam eles pobres coitados, conhecer. Nada mais errado. Para concluir e sem remorsos pela decisão que tomei digo em boa verdade, que sou uma pessoa melhor porque tive coragem de dizer basta e agora sei verdadeiramente com quem posso contar. São poucos mas bons.
Já li o teu blog quase todo de acentada, e tenho neste momento um lenço na mão, e acabo de vir da casa-de-banho... o teu blog é melhor do que qualquer laxante, qualquer cassete de emagrecimento da televendas e eu neste momento encontro-me desprovida de qualquer eloquência para fazer um comentário com bestialidades maiores que as tuas:D
então porque parei aqui e decidi comentar... porque nunca concordei tanto com ninguém como contigo agora neste texto! Perdi um grupo ao qual nunca na minha vida pertenci e só me serviu para destruir quase por completo dois anos da minha curta vida... porquê? Porque queria desesperadamente ser fixe!
Hoje percebi que é muito melhor passar despercebida numa multidão, sorrindo ocasionalmente a quem merece, do que sorrir a toda a gente numa multidão quando a vontade é de os espancar um a um até a morte!
Vou andar por cá com frequência, e um dia dir-te-ei isto pessoalmente no hardclub, porque já lá te vi algumas vezes mas na altura estava muito ocupada a «ser fixe»!
Pessoas como tu abrem-nos os olhos, libertam a mente, mas acima de tudo são a razão de uma gargalhada digna de pingar a cueca, como diria quem me trouxe até aqui:)
Vou ler-te e reler-te, apoiar mas sobretudo rir, porque a ironia da vida assim o quer, só temos é de o perceber!
abraço
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