A ilusão de conforto da mentira.
É impressionante a capacidade de certas pessoas para criar um universo paralelo ao seu próprio mundo e de viverem uma mentira constante. O sorriso falso, a simpatia esfuziante que emanam, mesmo quando não suportam o seu interlocutor, a banalidade do discurso, que mantém relações indesejadas a agoniar ano após ano, e o mais baixo assentimento constante do “Eu também...” e tudo isto porquê? Para serem simpáticos.
O facto da sua personalidade ser inexistente, provoca uma carência de relações sociais a todo o custo, num claro desprezo da velha máxima “poucos mas bons” em detrimento dos “muitos, sejam quem forem”. A pobreza de espirito é por vezes tal que são capazes de andar acompanhados anos a fio por pessoas, oficialmente amigas, sem se suportarem mutuamente, o que abre a possibilidade de criação de laços de cumplicidade com “amigos” comuns, também estes desinteressantes, através de diálogos difamatórios. Quantas vezes assistiram a grupos de três pessoas numa mesa de um qualquer bar, a transparecer uma amizade à prova de bala, e depois assim que uma delas se levanta, as restantes duas falam dela como se tivessem estado a partilhar a mesa com o Carlinhos Castro?
Não tenham medo de ser antipáticos com quem não vos merece simpatia. É preferível a terem de suportar alguém de quem não gostam pelo facto de ser aparentemente mais confortável. E façam isto mesmo com os vossos melhores amigos: exponham-se. Digam tudo. Não deixem espaço para ambiguidade e surpresas futuras, pois a amizade verdadeira, ou irmandade, como gosto de lhe chamar, sobrevive e fortifica-se com tudo isso. É impossível terem um verdadeiro amigo que pense tal e qual como vocês, pelo simples facto de não existir ninguém que pense tal como vocês. Quanto a mim, actuo desta maneira. Curto e grosso. Aceitam? Óptimo. Estamos cá. Não aceitam? Óptimo. Fiquem por aí. E brindo a isso, tenham saúdinha e que não vos falte nada, para que nunca tenham de voltar...
