quinta-feira, agosto 02, 2012

O menino e o Gato Gordo


Era uma vez um menino que, apesar de não se portar sempre bem, de vez em quando recebia do Pai Natal umas notinhas.

O menino, quando recebia as notinhas queria ir logo gastá-las, em Legos e revistas aos quadradinhos, mas o Pai Natal, que era mais esperto do que o menino, não deixava gastar todas, e nunca em Legos (que o Pai Natal, por vezes, também lhe trazia). Deixava-o apenas comprar uma ou duas revistas aos quadradinhos,  e guardava-lhe o resto numa caixinha.

Certo dia, o Pai Natal falou com o Gato Gordo, que passou a guardar as notas do menino. As que estavam na tal caixinha, e outras que o menino ia recebendo, apesar de continuar a não se portar sempre bem.

O menino, quando ficou mais crescido, rapazinho, descobriu os Diabretes da Internet, que vendiam coisas muito interessantes, desde discos com gravações de Gigantes Nórdicos aos gritos, a pincéis da barba (que interessavam ao rapazinho, porque, como estava mais crescido, começou a ganhar pêlos na cara, e noutros sítios), passando por camisas havaianas e até, por livros aos quadradinhos, de que, como sabeis, o rapazinho tanto gosta desde pequenino. Só havia um problema: os Diabretes, para lhe vender estas coisas bonitas, queriam que o rapazinho tivesse um cartão mágico, que só o Gato Gordo tinha!

O rapazinho foi então falar com o Gato Gordo, que lhe deu o cartão mágico. O Gato Gordo chamava ao cartão mágico “VISA”. O cartão era mágico porque, para além de ser aceite pelos Diabretes, permitia que o rapazinho comprasse muitos pincéis da barba e outras coisas mesmo que já tivesse gasto todo o dinheiro, que entretanto, já não era só o que o Pai Natal lhe tinha trazido, mas também o que o rapazinho ia ganhando a trabalhar, e que ia entregando ao Gato Gordo para guardar.

O Gato Gordo explicou ao rapazinho quanto dinheiro o cartão mágico lhe permitia gastar. Era muito! E o Gato Gordo acrescentou ainda que, caso o rapazinho quisesse, podia duplicar esse valor! O rapazinho, prudentemente, pediu ao Gato Gordo para lhe dar um cartão menos mágico, porque não queria gastar mais dinheiro do que o que tinha, e para além disso, tinha receio que os Diabretes tirassem mais dinheiro do cartão do que o que custavam os pincéis da barba. Toda a gente sabe que os Diabretes gostam de fazer dessas tropelias...

O rapazinho foi embora com o cartão mágico e durante alguns anos lá foi comprando coisas aos Diabretes da Internet, e às vezes até aos mercadores que encontrava pelas ruas. Sempre se portou bem com o cartão mágico, e sempre entregou ao Gato Gordo todo o dinheiro que gastava com ele, e sempre, sempre, sempre antes do dia combinado! Aliás, nunca ficou a dever nada ao Gato Gordo. Nada. Nem uma moedinha daquelas mais pequenitas.

Certo dia, quando o rapazinho foi falar com o Gato Gordo, para combinar com ele onde é que o Gato Gordo devia guardar o dinheiro, o Gato Gordo, talvez porque o rapazinho tivesse passado a usar óculos, começou a chamar-lhe “Senhor Doutor”!

-Eu não sou Doutor! – disse o rapazinho.

Então, o Gato Gordo, começou a tratar o rapazinho apenas por “Senhor”, e então o rapazinho já não se importou.

A dada altura, o agora Senhor, resolveu ir dar uma passeio grande, de avião e tudo! Por isso, foi explicar ao Gato Gordo que precisava de aumentar um pouco à magia do cartão mágico, por precaução, pois podia acontecer um imprevisto daqueles que às vezes acontecem nos passeios grandes de avião. O Gato Gordo disse então que Senhor tinha de escrever um papelinho a pedir o aumento de magia, e que depois, ia pensar nisso. Não ficou muito satisfeito, o Senhor, mas lá escreveu o papelito, enquanto o Gato Gordo lhe ia perguntando se estaria interessado noutro cartão mágico, grátis, chamado American Express, mas que tinha de partilhar a magia com o outro, o VISA. O Senhor não compreendeu qual a vantagem, e educadamente, agradeceu e rejeitou a oferta.

Passados uns dias, o Gato Gordo ordenou a um dos seus ratinhos que telefonasse ao Senhor.

Quando o Senhor atendeu, o ratinho estava muito medroso, a falar muito baixinho, cheio de cumprimentos e cuidados “o Senhor, isto, o Senhor aquilo, o Senhor diga, o Senhor ouça...”. O ratinho estava assustado, porque achava que o Senhor ia ficar aborrecido quando lhe dissesse que o Gato Gordo tinha permitido o aumento de magia, mas apenas durante um mês, para se fazer o tal passeio de avião!

O Senhor, de facto, ficou zangado, e começou a discutir com o ratinho. Sabem, é que apesar de o Senhor só querer mesmo o aumento de magia durante um mês achou que o Gato Gordo estava a ser mal educado ao mandar o ratinho dar-lhe aquele recado. É que nem era tanta magia como isso; era muito menos do que o que o Senhor confiou ao Gato Gordo para guardar, e também muito menos do que a magia que o Gato Gordo queria disponibilizar ao Senhor, quando ainda era rapazinho, uns anos antes, quando falaram pela primeira vez! Para além disso, o Senhor explicou que até havia outros Gatos Gordos, que apesar de não o conhecerem e não saberem se ele utilizava cartões mágicos com juizinho, lhe telefonavam a perguntar se ele queria um cartão mágico, dos que têm muita magia!

O ratinho disse ao Senhor que o Gato Gordo tinha mandado dar aquele recado desagradável porque agora os tempos eram outros, e andavam aí três Porquinhos malvados que andavam a racionar a magia.

O Senhor explicou ao ratinho que não tinha culpa nenhuma da vinda dos três Porquinhos, e que já o Gato Gordo e os seus amigos não se podiam gabar do mesmo!

O Senhor ficou então com vontade de mandar o Gato Gordo apanhar no cu, e passar a guardar o dinheiro debaixo do colchão!

 Ah, se ao menos os Diabretes aceitassem dinheiro guardado debaixo do colchão... 

quinta-feira, outubro 27, 2011

area store - o pesadelo da mobília

No início do ano, mudei de casa. Como precisava de mobília nova, comprei alguma na loja da area, no Norteshopping.

Foi uma das maiores asneiras que fiz na vida. A mobília por não existir em stock teve de ser encomendada e paga a 50% no acto da encomenda; devia de estar bêbado para aceitar estas condições... A prová-lo está o facto de também ter aceite que a loja não se comprometesse com prazos de entrega, mas tão só indicasse uma previsão do tempo mínimo que teria de esperar. Mas que se há-de fazer? Aqui o otário, a espaços, ainda sofre de uns rasgos de romantismo e acredita nas pessoas.

A conta gotas, a mobília começou a chegar. Confesso que cheguei a achar que os senhores da transportadora pertenciam a uma equipa de apanhados. Metade da mobília foi entregue partida ou danificada (a saber: quatro cadeirões, cinco cadeiras e um aparador). Cheguei a espreitar pela janela, a ver se via o Joaquim Letria, o Guilherme Leite ou o Nuno Graciano na rua, mas não vi ninguém. Era mesmo verdade!
Desenrolou-se uma infindável lista de contactos, quer para a loja, quer para o serviço após venda, para a ASAE e para o Centro de Informação e Arbitragem ao Consumo do Porto (idas à loja, telefonemas, emails, cartas registadas com aviso de recepção, tudo o que possam imaginar).

O modus operandi é este:

1- reclamação na loja (não podem fazer nada a não ser reportar o problema ao serviço após venda)

2- silêncio

3- reclamação para o serviço após venda (não pode fazer nada a não ser reportar o problema à administração, cujo contacto me é vedado)

4- silêncio

5- reclamação no livro, na loja

6- resposta da ASAE (indica que está fora do seu âmbito de competências; parece que no âmbito de competências deste organismo está apenas a apreensão de chouriças caseiras e de DVDs pirata. A ASAE sugere que recorra ao Centro de Informação e Arbitragem ao Consumo do Porto)

7- comunicação para o CICAP (este organismo é gratuito para ambas as partes e serve para, quando duas partes não chegam a acordo, mediar a disputa de acordo com a lei vigente, e designa um jurista para o efeito. A ideia é que não se entupam tribunais com processos relativos a cadeiras e outras miudezas, deixando os tribunais com tempo para engavetar pedófilos, corruptos e afins)

8- resposta do CICAP (a area store não aceita a mediação; o recurso ao CICAP exige que ambas as partes aceitem que este organismo medeie o conflito. A decisão do tribunal arbitral, a acontecer, é final e não passível de recurso. Assim sendo resta-me o recurso aos tribunais, opção que me foi de imediato desaconselhada por doutores de direito, sob pena de passar uns anos nisto e de entretanto despender uma pequena fortuna)

Isto significa que a area não pensa que a minha intenção de devolver seis cadeiras, em oposição à sua intenção de substituir duas não tenha suporte legal. Eles sabem que eu sei que eles sabem que tem. A lei do consumo é explicita. Cabe ao consumidor optar pela substituição por produto igual ou superior, reparação, devolução total do dinheiro contra a entrega do produto ou ainda devolução parcial do valor, ficando o consumidor com o produto danificado. O que eles sabem é que a justiça em Portugal tarda e é cara, e então, impõem a sua vontade, e pensam que assim levam a vida.

Pois bem, preciso da vossa ajuda para lhes provar que estão equivocados:
publicitem este post justo dos vossos amigos, e visitem e partilhe a página de facebook que criei para o efeito . Nesta página, podem ver fotos de algumas das peças defeituosas (infelizmente, não tenho de todas) bem como ver alguns dos documentos que provam que a descrição acima, quando muito, peca por defeito. Nos dias que correm, todos temos magníficas ferramentas para fazer valer a nossa opinião e os nossos direitos. Não os desperdicemos!

sexta-feira, maio 20, 2011

Alternância democrática

Todos os dias, à porta do escritório onde trabalho, estão carros mal estacionados, em cima de uma passadeira. Ontem, ao princípio da tarde, um deles chamou-me a atenção. Não porque fosse um grande bólide (era um daqueles Citroën pequenitos, armados em Smart), mas por causa da decoração: em ambas as portas e no capot, um logótipo do Partido Socialista, acompanhado do slogan "Defender Portugal". Mentalmente, chamei-lhes badalhocos, por, inocentemente, achar uma afronta alguém exibir semelhante falta de civismo enquanto publicita a defesa do interesse nacional.
Quando ao fim da tarde saí do escritório, o carro lá estava, mas uns dois metros mais à frente.
Hoje, ao regressar, lá continuava. Pensei mesmo em tirar-lhe uma fotografia. Mas para quê? Quem iria querer saber?
A meio da tarde, tive de vir à rua, e ao sair do prédio, lá continuava ele, mas agora, pelo vidro aberto, via-se um porco mascarado de "sôtor". Estava de fato, gravata rosa, de nó largo, cabelo lambido com gel, óculos de sol de griffe, e ia fazendo cócegas num daqueles smartphones da moda. Resultava tudo isto num conjunto particularmente azeiteiro, que apesar do esforço, ou, se calhar, por causa dele, falhava em ocultar a condição de membro da base da pirâmide do aparelho partidário ao seu portador.
Não resisti!
- O Sr. tem aqui o carro estacionado há um dia! Realmente, está preocupadíssimo em defender Portugal, e em respeitar os seus cidadãos!
- Há um dia?!? Não é verdade!
- Pois não. Desculpe. Ontem estava mais atrás, mais em cima da passadeira... O Sr. não tem o mínimo respeito por Portugal, pela lei e pelos cidadãos portugueses.
- Se calhar tem você...
- Ao contrário de si, ainda não lhe dei razões para duvidar! Para além disso, não ando a tentar convencer ninguém do oposto, para votar em mim.
Recado dado, viro costas e começo a subir a rua, onde a Polícia Municipal do Porto ia bloqueando e rebocando viaturas que estavam estacionadas em local correcto, mas com o papelito do parquímetro em falta, ou expirado; enquanto subo ainda ouço o anormal gritar:
- Mal eu saia daqui, estaciona outro!
Deixei esta tirada sem resposta. Fui reflectindo sobre o que já não era novidade para mim. Seja um carapau de corrida das bases, seja um tubarão branco dos do topo, para estes (estes, não só os do PS; para os restantes também...) sabujos, a alternância democrática não é mais do que arranjar um lugar, seja de estacionamento, seja num ministério, secretaria de estado, câmara municipal ou similar, e enquanto lá estiver, aproveitar, passando por cima de tudo e todos, antes que chegue a vez do parasita seguinte.



Adenda, escrita quatro dias após a publicação inicial:

Esta foto foi tirada hoje. O condutor da viatura apareceu no momento em que eu a tirava e ofereceu-se para que eu lhe tirasse também uma, ao lado do carro. Continua a achar que tem a razão do lado dele e desta vez, quando lhe chamei selvagem respondeu "Selvagem és tu!".
É refrescante ver novamente o clássico de jardim escola "Quem diz é quem é!" aplicado ao discurso político. Vá lá, que não me disse que eu tenho cara de chimpanzé! É que há certos argumentos difíceis de rebater...




quarta-feira, janeiro 12, 2011

Ici, tout le monde travaille comme les macaques!

- Optimus Clix, boa noite!
- Boa noite. Eu vou mudar de casa e pretendia migrar o meu contrato de Internet e telefone para a nova casa...
- Com certeza, pode indicar a nova morada, por favor?
- Claro que sim.

(morada indicada, momento aguardado)

- Estou sim?
- Sim.
- Estive a verificar e a sua nova morada não se encontra numa zona Optimus Clix Fibra...
- Não há problema, pode manter o pacote ADSL...
- De momento não estamos a celebrar novos contratos ADSL...
- Mas isto não é um novo contrato; eu pretendo apenas transferir um contrato já existente para uma nova morada!
- Esse procedimento implicaria um novo contrato; a nossa rede de Fibra deverá abranger todo o território nacional até 2012.
- Mas ainda estamos em 2011...
- Pois, mas de momento não estamos a celebrar novos contratos ADSL. Talvez numa loja Optimus Clix possam abrir uma excepção; o Sr. é do Porto: porque não se dirige à loja da Casa da Música?
- Olhe, pensando melhor, o promotor da casa nova tem acordos com a PT e com a ZON. Acho que vou aproveitar. Pode cancelar o meu contrato?
- Para cancelar contratos deverá dirigir-se a uma loja Optimus Clix...
- Na Casa da Música, não é?
- Exacto.
- Pronto. Então, obrigado e boa noite.
- Boa noite, posso se-lhe útil em mais alguma questão?
- Útil... Não...
- A Optimus Clix agradece o seu contacto.

(siga para a Casa da Música; retirar senha - A306. Acto contínuo o monitor LCD chama o portador da senha A306 ao balcão 8, onde a funcionária está ocupada a atender uma cliente)

- Faz favor...
- Tenho a senha A306...
(A revirar os olhos): -Tem de aguardar que o chamem...
- Já chamaram...
- Aguarde um momento por favor.

(A funcionária tenta tornar o momento o mais longo possível, ao arrastar o atendimento à tal cliente, que eventualmente vai embora)

- Faz favor...

(Digo ao que vou.)

- Para efectuar rescisões contratuais deve ligar para o 16100!
- Já liguei. Mandaram-me vir cá.
- Mas aqui não efectuamos esse serviço.
- A Sra. tem aí um telefone?
- Tenho...
- Pode-mo emprestar, por favor?

(As minhas intenções foram adivinhadas e a funcionária liga, ela própria para a linha de atendimento. Explica a situação à operadora e de seguida, passa-me o telefone)

- Boa tarde.
- Boa tarde, eu pretendia rescindir o meu contrato.
- Com certeza.

(Nº de contribuinte, de BI, índice de massa corporal, código postal da professora primária, etc.)

- Aguarde um momento por favor, que eu vou passar à colega.

(...)

- Optimus Clix, boa tarde. A colega informou-me que pretende cancelar o seu contrato, é isso?
- Sim.
- Pode indicar-me o motivo?

(PORQUE VOCÊS SÃO UNS CHATOS DO CARALHO, É POR ISSO!)

- Vou mudar de casa para uma zona não servida pela vossa rede.
- Nº de contribuinte, de BI, índice de massa corporal, código postal da professora primária, etc. Aguarde um momento.

(...)

- Obrigado por ter aguardado. Deve agora dirigir-se a uma loja Optimus Clix para preencher o formulário de rescisão.

(Mau...)

- Olhe, por coincidência, estou a ligar-lhe de uma. Pode falar com a sua colega, por favor?

(Falaram. Lá aparece o tal formulário que não existe nas lojas Optimus Clix, que eu, já de trombas, preencho, e ao qual anexam uma cópia do meu cartão do cidadão)

(Ainda de trombas)- Pode dar-me uma cópia do formulário?
- Não é costume...
- Ainda assim, agradecia-lhe que me fizesse esse favor; é cá por coisas...
- Cá está. Obrigado.
- De nada!

A crise, é de facto, em grande medida, provocada por roubalheiras e moscambilhas de meia dúzia de porcos. Mas por outro lado, e citando um amigo aqui do escritório, que por sua vez costuma citar um Sr. belga que em tempos esteve por cá a conviver com esta maneira portuguesa de ser, também existe porque "Ici, tout le monde travaille comme les macaques!"

domingo, novembro 14, 2010

Sob a sombra da Lua.

Ontem fui aos belíssimos Arcos de Valdevez ver a Sombra, o espectáculo que não chamarei de acústico, porque acho redutor fazê-lo, dos meus caros Moonspell.
Há tempos fui à casa das Artes dos Arcos de Valdevez ver os mesmos Moonspell, na sua versão original, e quando soube desta nova tournée, fez para mim todo o sentido que lá regressasse para a ver. Acho que se deve valorizar o brilhante trabalho que por lá se faz, trazendo ao interior Norte do país arte e cultura de qualidade, a preços praticáveis, quando não gratuitamente, abrangente, sem traços de pompa e pretensiosismo elitista, servindo-as à população real e não apenas a meia dúzia de iluminados com necessidade de mostrar entre si quão eruditos são. Um exemplo a ser seguido por instituições similares em todo o país, mesmo nos grande centros urbanos.
Agora que começarei a escrever sobre o concerto, para ser justo, devo desde já pedir desculpa aos Moonspell pela minha (embora comedida) apreensão quanto a esta ideia de "amaciar" as suas (e minhas!) músicas, e que em tempos com eles partilhei, quer por escrito, no agora "congelado" fórum oficial da banda, e pelo regresso do qual, aproveito para dizer, anseio, quer de viva (ou etílicamente persistente...) voz aquando da inauguração do Hard Club V2.0.
O concerto foi absolutamente fabuloso! Os Moonspell deram uma excelente manifestação de profissionalismo e de trabalho, mostrando que a ideia de se reinventarem não foi um mero capricho, e em menos de cinco minutos fizeram-me envergonhar pelos meus receios iniciais. Caríssimos, mais uma vez, desculpem-me. A situação torna-se particularmente confrangedora porque em todos estes anos que tive o prazer e a honra de vos acompanhar nunca me deram um só motivo para duvidar do vosso génio. Posto isto, tendo já expiado o meu Sin/Pecado, regressemos ao concerto:
Como disse quando comecei, é redutor (e mentira) dizer que Sombra é um concerto acústico de Moonspell. Por outro lado, é difícil dizer o que é... Temos a banda em palco acompanhados pelos Opus Diabolicum, uma espécie de Apolyptica portugueses (quatro violoncelistas e um percursionista), igualmente bons, mas com menos meio metro de altura dos que os finlandeses originais, e que também servem de banda de abertura, tocando magistralmente meia hora de hinos dos Moonspell, bem como (pelo menos) um original antes da Sombra inundar o palco. Durante o concerto vão temperando as músicas, sem se tornarem excessivamente interventivos. Também presentes estão as já conhecidas Crystal Mountain Singers, assegurando a melodia dos coros.
Vão então desfilando músicas retiradas da (já extensa; parece que foi ontem que fui à Strauss comprar o Wolfheart!) discografia dos Moonspell, umas presença permanente nas setlists, outras mais ou menos empoeiradas, retiradas do Sin/Pecado e do Butterfly Effect e que, pelas características mais melódicas destes álbuns, estavam obviamente a pedi-las.
Todas as músicas sofreram (excelentes) arranjos novos, que pelo que pude perceber são da particular responsabilidade do Pedro Paixão, e estão mais melódicas e graves, tendo perdido velocidade, mas mantendo rasgos de agressividade onde se lhes é exigido. Potenciou-se o lado melódico mas sem deixar de lado a força. O Ricardo Amorim, apresentou-se com uma guitarra acústica tocada com um virtuosismo tal que por vezes me fez esticar o pescoço para tentar perceber se não estaria entretanto a fazer batota e a teria trocado por uma eléctrica. D. Aires Pereira, grande, como sempre, é que não foi de modas e apresentou-se com o seu baixo do costume devidamente ligado à corrente. Mike Gaspar, com a bateria reduzida a metade, deu espectáculo, tocando também magistralmente, mostrando pouca disponibilidade para passar o concerto a fazer cócegas à tarola. Fernando Ribeiro, como sempre foi alternando as melodias sussurradas com os laivos de agressividade, que desta vez, por serem mais escassos, ganharam especial dramatismo, tendo, por mais do que uma vez, feito saltar na cadeira uma velhinha que estava à minha frente.
Esteve tudo isto emoldurado por iluminação cuidada e belíssimas projecções, estando o som na sala nada menos do que perfeito. Porque quase nunca se fala deles, e nas excepções a esta regra, normalmente é para levantar defeitos, ficam aqui os meus parabéns aos técnicos que acompanham os Moonspell.
Aconselho por tudo isto que tentem ir a algum concerto da Sombra. Quer consigam ou não ver isto ao vivo, fiquem atentos à eventual edição do CD/DVD que o espectáculo claramente merece.

A setlist, e que a acreditar no exemplar escrito obtido no palco, foi a mesma no cinema S. Jorge , em Lisboa, foi a seguinte:

Hand Made God
Shouthern Deathstyle
Wolfshade
Disappear
Opium
Awake
Can´t Be
Second Skin
Magdalene
Scorpion Flower
Luna
Mute
Alma Mater
Senhores da Guerra
Full Moon Madness

sábado, outubro 02, 2010

Covers, Cú e Mamas

O Porto Rio recebeu ontem a apresentação ao Porto de "Covers, Cú e Mamas", o merecido tributo a Mata Ratos.

O disco tem os clássicos de Mata Ratos, no geral, bem tocados por diversas bandas nacionais. Incluiu também covers de outras bandas tocadas pelos Mata Ratos Não deixei de ficar surpreendido pela C.C.M., tocada pelos Holocausto Canibal, ficar entre as minhas favoritas, uma vez que não gosto particularmente da banda...

Como sempre, gostei muito do concerto de Mata Ratos, isto mesmo apesar de ter implementado medidas de austeridade (e consequentemente, de sobriedade...) e me ter limitado a VER o concerto, tudo para evitar passar os próximos dias de molho. Resultou! Isto no entanto tem de ser visto pelo lado positivo: um dos sinais que denunciam que uma banda tem uma carreira já longa e produtiva é ter fãs que sofrem do reumático. (Algumas bandas, mais merdeiras, têm fãs que com a idade começam a sofrer "dos nervos".)

Os Mata-Ratos apresentaram uma extensa e poderosa setlist que, sim, incluiu "Juntos Para Sempre" (o que me fez ignorar temporariamente a tal austeridade para, tal como acordado, ajudar a cantar a balada, sempre acompanhado pelo primo, que finalmente lhe tomou o gosto e agora vai a todas).

Quando uma banda ensaia de propósito uma música que nunca tinha tocado ao vivo só para fazer a vontade a um chato, dando-se inclusivamente ao trabalho de lhe camuflar o nome na setlist para não estragar a surpresa (chamaram-lhe Kinder Surpresa...), e a dedica ao Grupo Separatista Hámosh, tem de ter a minha gratidão eterna! Obrigado! Vocês são simplesmente os maiores do mundo!

Embora já não restassem dúvidas, ficou vincado mais uma vez que o Hámosh e os Mata Ratos caminharão Juntos Para Sempre (ou, na impossibilidade de caminhar, caso o reumático ataque com mais força, deslizarão suavemente nas cadeiras de rodas...)

NOTA:

Os Mata Ratos actuam hoje, 2 de Outubro em Viseu na discoteca We Love You (ele há nomes...) com The Offsiders, no dia 8 em Faro, no Arcádia e no dia 5 de Novembro vão às alheiras, a Mirandela, aproveitando para actuar na Associação Académica.

segunda-feira, julho 26, 2010

Carta aberta ou "O Papa devia vir cá todos os dias"

Porto, 26 de Julho de 2010

Prezados Srs.:

Esta carta foi enviada em simultâneo para o Comando Metropolitano da PSP do Porto, Direcção Nacional da PSP, Ministério da Administração Interna, Gabinete do Primeiro Ministro, Ex.mo Sr. Presidente da República, Grupos Parlamentares de todos os partidos com representação na Assembleia da República e Câmara Municipal do Porto, bem como para os principais órgãos de comunicação social portugueses.

É motivada pelo facto de desde há muito tempo eu ter constatado, que é extremamente difícil, exceptuando em esquadras e à porta do Banco de Portugal, encontrar um agente da PSP na cidade do Porto durante a noite.

Nas últimas semanas, por duas vezes precisei de recorrer a esquadras da PSP durante a noite e de ambas as vezes deparei com policias que se confessaram incapazes de me auxiliar, por dois motivos: primeiro, por estarem, de cada uma das vezes, apenas dois agentes na esquadra, o que por ser o mínimo obrigatório consequentemente os impedia de sair da mesma; em segundo lugar, a outra alternativa que lhes restava, que seria a de deslocar para o local um carro patrulha, afigurava-se-lhes apenas hipotética, uma vez que para cada uma destas viaturas é atribuída uma área demasiado extensa, tendo-me sido dito, pelos agentes, numa das vezes, que naquela noite (um Sábado) apenas havia um carro patrulha em toda a cidade do Porto e da segunda vez (uma sexta-feira) que o carro patrulha disponível para aquela área tinha cinco freguesias atribuídas.

Sei também, por experiência própria, que apesar dos inúmeros reboques privados que diariamente prestam serviço nas equipas de controlo de estacionamento, quando uma viatura fica bloqueada por outra estacionada, por exemplo, em segunda fila ou em frente à sua garagem, a espera por um reboque pode ser desesperante, uma vez que os reboques privados não são chamados a actuar nestas situações e a PSP dispõe de apenas um reboque para toda a cidade.

Assim, peço a todas as instituições que recebam esta carta, e que me parece serem todas as com responsabilidades directas ou indirectas neste assunto, que ponham cobro à actual situação da falta de policiamento do Porto.

Aos órgãos de comunicação social, peço que investiguem a veracidade destes factos e que os noticiem.

Peço a todos que não percam tempo a responder a esta carta. A única resposta que uma denúncia destas pode ter é a reposição da normalidade, com polícias em número suficiente nas ruas e nas esquadras, com equipamento, formação e motivação adequados. Não é aceitável que um policia quando confrontado com uma denúncia de vandalismo, agressão, assalto ou outra qualquer perturbação reaja com inércia e resignação pela falta de meios. Não é aceitável que um cidadão cumpridor chegue mais de duas horas atrasado ao seu local de trabalho porque teve de esperar todo esse tempo que um condutor desrespeitador que lhe bloqueou a garagem remova a sua viatura, uma vez que a PSP não teve meios para o fazer, e que quando lá chegue assista à remoção, por diversos reboques, de viaturas cujos condutores não inseriram uma moeda no parquímetro.